01 de setembro, 2004 - 02h26 GMT (23h26 Brasília)
Paulo Cabral
Enviado especial a Nova York
"Imaginar que um garoto nascido na Áustria poderia crescer para se tornar governador da Califórnia e hoje ficar diante de vocês, aqui no Madison Square Garden, falando em nome do presidente da República é o sonho de um imigrante. É o sonho americano", disse o ator.
"Quero que meus companheiros imigrantes que estão me ouvindo saibam que vocês são bem-vindos em nosso partido. Nós, republicanos, admiramos sua ambição, encorajamos seus sonhos e acreditamos em seu futuro. Uma coisa que aprendi a respeito dos Estados Unidos é que se você trabalhar duro e seguir as regras, este país está verdadeiramente aberto para vocês."
Schwarzenegger evitou tocar nas questões morais - como o casamento homossexual e o direito ao aborto - a respeito das quais tem uma visão mais liberal do que aquela que consta no programa de seu partido.
Moderados
A plataforma republicana aprovada no primeiro dia da convenção, na segunda-feira, propõe a proibição das uniões entre pessoas do mesmo do sexo e a proibição do aborto.
Mas, nestes primeiros dois dias da convenção, os oradores convidados a falarem nos principais horários são identificados com as alas mais moderadas do Partido Republicano, como o próprio Schwarzenegger, o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, e o senador John McCain.
Analistas dizem que a estratégia é tentar atrair os eleitores que aprovam a atual administração, mas discordam do conservadorismo com o qual são identificados o presidente George W. Bush e seus aliados mais próximos.
Apesar da moderação, Schwarzenegger não perdeu a chance de fazer uma piada com os democratas, dizendo que a convenção dos partido adversário deveria ter recebido o nome de "True Lies" (“Verdadeiras Mentiras”, em tradução literal), o título de um de seus filmes de ação.
Economia e Iraque
Schwarzenegger também mostrou otimismo com as perspectivas da economia americana que, para ele, "permanece como a grande inveja do mundo".
"Com o presidente Bush e o vice-presidente Cheney, a economia dos Estados Unidos está avançando, apesar da recessão que herdamos e dos ataques a nossa terra."
O governador da Califórnia também manifestou seu apoio à decisão de Bush de realizar a ofensiva militar no Iraque. “O presidente não atacou o Iraque porque pesquisas diziam que seria uma atitude popular. Mas liderança não tem a ver com pesquisas, mas com fazer o que é certo e manter decisões.”
“Os Estados Unidos estão mais seguros com George Bush. Ele sabe que não se pode argumentar com terroristas e sim derrotá-los”, completou.