01 de setembro, 2004 - 14h33 GMT (11h33 Brasília)
Contrariando o ditado que diz que "os opostos se atraem", cientistas canadenses descobriram que as pessoas tendem a escolher amigos que sejam fisicamente parecidos com elas.
Mas, segundo a pesquisa publicada na revista científica Journal of the Royal Society, a semelhança facial não é um fator importante quando se busca um parceiro sexual.
Os pesquisadores mostraram a voluntários rostos manipulados por computador para parecer mais semelhantes aos rostos dos pesquisados.
Os homens gostaram das faces de outros homens que pareciam com os deles, e as mulheres também gostaram dos rostos de mulheres semelhantes.
Mas a semelhança facial não influenciou a atração entre sexos opostos.
A psicóloga Lisa DeBruine, líder da pesquisa realizada na Universidade McMaster, no Canadá, os humanos podem ter evoluído a ponto de preferir a companhia de pessoas que nos lembrem nossos familiares, mas têm um bloqueio biológico para evitar incesto.
Confiança
DeBruine disse que pesquisas anteriores haviam mostrado que as pessoas estão mais propensas a confair em quem é mais parecido fisicamente com elas.
Em uma de suas experiências anteriores, ela observou que voluntários jogando um jogo de investimento financeiro na internet tendiam a confiar mais em seu parceiro (cuja fotografia era vista na internet, na hora do jogo) se a foto houvesse sido modificada digitalmente para ficar mais parecida com eles.
A pesquisadora acredita que, possivelmente, evoluímos para depositar mais confiança e ter maior afeição por aqueles que parecem estar, de alguma forma, relacionados conosco, porque há chances de termos mais genes em comum.
O professor e pesquisador David Perry, do Laboratório de Percepção da Universidade de Saint Andrews, disse à BBC que "é provável que as pessoas mais parecidas com a gente dividam nossos genes, e faz sentido que a gente ajude esses indivíduos, porque, na prática, estamos ajudando nossos próprios genes".
Mas ele disse que é importante que os indivíduos não sintam atração sexual instintivamente por pessoas parecidas com eles, já que a reprodução entre pessoas de genes parecidos poderia aumentar significamente o risco de doenças congênitas.
"Nós devemos confiar nas pessoas que dividem nossos genes, manter amizades com elas, mas não dormir com elas", disse ele.