30 de agosto, 2004 - 11h33 GMT (08h33 Brasília)
Bryn Palmer
Os Jogos de Atenas começaram com uma polêmica de não comparecimento a um exame antidoping e terminaram com a perda de mais uma medalha de ouro pelo uso de substâncias ilegais.
Entre as histórias de Kostas Kenteris e Adrian Annus, houve casos com esteróides, estimulantes e diuréticos.
Atenas teve duas vezes o número de casos de consumo de substâncias proibidas do que a pior Olimpíada em doping, a de Los Angeles, em 1984.
Quando a chama olímpica foi apagada no domingo, 24 casos de doping haviam sido registrados.
Ouro
Antes de Atenas, o último atleta que havia perdido a medalha de ouro por doping havia sido Ben Johnson, em Seul, em 1988.
Nunca na história das Olimpíadas dois atletas campeões haviam perdido o ouro. Em Atenas, esse número chegou a três.
O teste realizado pela arremessadora de peso russa Irina Korzhanenko constatou a presença da substância estanozol, o mesmo esteróide usado por Johnson há 16 anos.
O arremessador de disco Robert Fazekas e o arremessador de martelo Adrian Annus, ambos da Hungria, perderam o ouro por se recusarem a dar amostras de urina.
Outras medalhas foram apreendidas, e atletas foram suspensos por testarem positivo em exames.
Repercussão
Os resultados não foram os que os gregos esperavam, principalmente quando dois de seus atletas - Kenteris e Katerina Thanou - desistiram de participar dos Jogos depois de não terem comparecido a testes antidoping.
O episódio chamou a atenção do mundo mesmo antes do início dos Jogos.
Mas, segundo o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, os casos aumentaram porque mais testes foram feitos.
Mais de 3 mil exames foram realizados, um aumento de 25% com relação aos Jogos de Sydney, em 2000. E pela primeira vez, exames de sangue - que antigamente eram limitados a esportes de resistência - foram obrigatórios para todas as modalidades.
Rogge havia alertado antes do início dos Jogos - os primeiros desde que um código global antidoping foi adotado - que essa competição registraria o maior número de doping da história das Olimpíadas.
"Você tem 10,5 mil atletas na Vila Olímpica, você não tem 10,5 mil santos", disse Rogge. "Sempre existirão fraudes."
"O que importa é que estamos agindo contra o uso de drogas. Cada resultado positivo pega um impostor e protege um atleta correto. Nós adotamos a política da tolerância zero", acrescentou ele.
Segundo Rogge, o COI acredita que o público quer saber quem é digno de confiança nos Jogos Olímpicos.
"Estamos progredindo porque está ficando cada vez mais difícil trapacear sem ser pego", disse Rogge.