25 de agosto, 2004 - 19h08 GMT (16h08 Brasília)
Alexandre Mata Tortoriello
enviado especial a Quito
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu participação do Legislativo nos processos de integração regional durante o segundo dia de visita ao Equador.
"Num mundo crescentemente interdependente, é preciso valorizar os legislativos, inclusive quanto ao fortalecimento da ação internacional do Estado", disse Lula.
"Somos favoráveis a um permanente diálogo acerca das posições negociadoras conduzidas pelo Executivo. Isso não enfraquece o presidente, ao contrário, dá-lhe a legitimidade do apoio popular.”
As declarações do presidente foram feitas durante a sessão extraordinária do Congresso equatoriano na qual ele foi condecorado com a medalha General Eloy Alfaro.
Crítica aos ricos
Lula voltou também a criticar a postura dos países desenvolvidos nas negociações internacionais.
“Não podemos conviver com práticas comerciais injustas, contraditórias e muitas vezes hipócritas. Defendemos um sistema internacional de comércio mais aberto, justo e equitativo", afirmou.
"Não queremos depender de arranjos privilegiados com países desenvolvidos que distorcem o sistema internacional e nos condenam à eterna dependência de concessões desiguais e incertas."
Com relação à integração regional, Lula defendeu uma união que vá muito além dos laços econômicos “e que empregue políticas industriais, sociais e tecnológicas”.
O presidente Lucio Gutiérrez destacou a longa tradição de amizade entre os dois países e declarou apoio à liderança brasileira.
"O Brasil consolidou uma importante presença no cenário global e sobretudo na América Latina e no Caribe, em um mundo com características distintas às que prevaleceram durante a Guerra Fria."
"Damos especial importância à sua (de Lula) iniciativa de realizar uma cúpula dos países da América do Sul e dos países da Liga Árabe no início de 2005, que contribuirá para um maior entendimento das relações políticas, econômicas, comerciais e de cooperação entre as duas regiões."
Acordos
Durante a visita de Estado de pouco menos de 24 horas de Lula ao Equador, os dois países assinaram acordos nas áreas de petróleo, energia elétrica, telecomunicações e saúde.
Lula chegou na noite de terça-feira, após viagem ao Chile.
Nesta quarta-feira, os dois governos firmaram um acordo de cooperação entre a Petrobras e a Petroecuador, com o objetivo de reorganizar a administração da estatal de petróleo equatoriana.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fechou um acordo com a Conatel, a agência reguladora equatoriana, para modernizar o gerenciamento na área de telecomunicações.
No setor de saúde, o Brasil vai dar apoio para que o Equador adote o modelo do Sistema Único de Saúde (SUS), além dos programas de aleitamento materno e de agentes comunitários.