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25 de agosto, 2004 - 11h17 GMT (08h17 Brasília)

Phil Gordos
de Atenas

Vôlei de praia conquista Atenas com misto de sol, música e garotas de biquíni

Os gregos antigos teriam provavelmente ficado intrigados com o espetáculo olímpico do vôlei de praia.

Mas os torcedores atuais querem mais e mais do esporte que um comentarista compara a um "karaokê na areia". A comparação pode ser um pouco dura.

Os jogadores de vôlei de praia são atletas extremamente bem treinados, que suam em quadra e sentem muito orgulho do que fazem.

Música

É "por acaso" que eles competem com músicas ao fundo que são mais comuns em boates da Europa do que em esportes.

Durante a final feminina na terça-feira, o locutor na arena montada no Centro Olímpico de Vôlei de Praia convocou a torcida a bater com as mãos e com os pés entre cada ponto ao ritmo de músicas como YMCA, do Village People.

O sucesso foi tamanho que em alguns momentos o que acontecia na quadra se tornou secundário.

A combinação de sol, areia, música e esporte parece funcionar. E a torcida adora.

E os atletas gostam de jogar nessa atmosfera vibrante, apesar de os prêmios não serem do tipo com que eles estão acostumados.

Nas Olimpíadas, o prêmio é uma medalha. Mas, no circuito profissional de vôlei de praia, a recompensa vem em dinheiro. E muito dinheiro.

Em 2004, o total de prêmios, para homens e mulheres somados, chegou perto de US$ 50 milhões.

Popularidade

Esse é um dos motivos pelos quais o vôlei de praia está atraindo cada vez mais atletas, talvez até em detrimento de seu rival mais tradicional.

Tanto Kerri Walsh, que ganhou o ouro, quanto Elaine Youngs, que ficou com o bronze, vieram do vôlei de quadra.

No Brasil, Ana Paula, eliminada junto com Sandra Pires pelas medalhas de prata Adriana Behar e Shelda, também começou no vôlei de quadra.

Para Kerri Walsh, não há argumentos. "O vôlei de praia é o sucesso destes Jogos Olímpicos", diz.

Elaine Youngs diz que é só divertimento. "Nós nos divertimos fazendo o que fazemos."

Biquíni

Mas não o tempo todo, segundo Misty May, que ganhou o ouro junto com Walsh.

"É como um emprego tradicional. Fazemos sacrifícios como todo mundo", afirma.

Mas nem todo mundo vai trabalhar de biquíni.

E algumas atletas usam biquínis tão apertados que parecem que eles foram pintados em seus corpos.

Talvez essa seja uma das razões pelas quais muitas pessoa não levam o jogo tão a sério.

Os críticos dizem que são "emoções baratas", de ver homens e mulheres suando na praia.

Mas será que a glória de ganhar uma medalha olímpica se compara com a recompensa financeira do circuito profissional?

Holly McPeak, parceira de Young no bronze, diz que "foi a realização de um sonho".

Ela vai ter que esperar mais quatro anos para tentar ganhar outra medalha. Até lá, vai ter que se contentar apenas com o dinheiro.