24 de agosto, 2004 - 09h43 GMT (06h43 Brasília)
Richard Black
Cientistas americanos criaram um rato geneticamente modificado capaz de correr o dobro do normal antes de ficar exausto. Por conta das Olimpíadas, o animal já foi apelidado de "rato maratonista".
Os cientistas do Instituto Médico Howard Hughes, na Califórnia, disseram que a descoberta pode levar à criação de remédios e tratamentos genéticos que podem aumentar a resistência dos atletas.
Os cientistas acrescentaram uma cópia ativa extra de um gene normal do rato, chamado PPAR-delta. Os humanos têm o mesmo gene, e duas empresas farmacêuticas já estão desenvolvendo remédios para aumentar a sua atividade.
Obesos
O responsável pela pesquisa, Ronald Hughes, disse que esses remédios em desenvolvimento poderão um dia ser usados por atletas de provas de resistência, mas o uso primordial deverá ser outro.
"O uso seria, em particular, para pessoas acima do peso, ou para quem tem problema para fazer exercícios", disse o médico.
"Quase por definição, atletas e corredores teriam um interesse no assunto porque o tratamento pode ajudá-los a se exercitar de modo mais eficiente. Então, há a possibilidade de atletas abusarem da substância, como qualquer outra."
No "rato maratonista", o gene PPAR-delta trabalha mudando o músculo.
O rato passa a ter mais fibras de contração lenta, que queimam gordura e são necessárias para os maratonistas.
Atletas passam horas e horas treinando para melhorar o desempenho dessas fibras.
Agora já existe uma pílula que pode fazer a mesma coisa.
Também é possível que, no futuro, atletas façam tratamento genético baseado no mesmo conceito.
Outros pesquisadores já criaram um rato "superforte" manipulando genes, e alguns especialistas acreditam que a era dos atletas "geneticamente melhorados" vai chegar logo.
O resultado da pesquisa foi publicado na revista online The Public Library of Science Biology.