23 de agosto, 2004 - 13h33 GMT (10h33 Brasília)
Lars Bevanger*
de Oslo
A polícia da Noruega afirma que os homens que roubaram o famoso quadro O Grito, de Edvard Munch, agiram de forma "amadora" e deixaram muitas pistas.
Os dois homens pareciam não saber exatamente onde estavam pendurados os quadros. Além disso, eles se espatifaram contra uma porta de vidro ao entrar no museu e derrubaram as pinturas no chão duas vezes antes de escapar.
Um visitante do Museu Munch, em Oslo, tirou várias fotos dos homens mascarados e armados que praticaram o roubo em pleno horário de visitação na tarde do domingo.
As molduras das duas obras roubadas (eles levaram também o quadro Madonna) já foram encontradas, assim como o carro da fuga.
Tanto testemunhas como policiais manifestaram surpresa com a forma como se deu o roubo.
Estado de preservação
Funcionários do museu e especialistas em arte disseram estar preocupados com o estado de preservação de O Grito.
Isso porque ele não foi pintado sobre tela, mas sim sobre cartolina, e poderia não resistir ao ser retirado de sua moldura.
Especialistas dizem que é impossível conseguir vender essas obras e que esperam agora um pedido de resgate.
O diretor do museu, Gunnar Sorensen, defendeu em entrevista à Radio 4 da BBC os mecanismo de segurança do local.
Um alarme sigiloso disparou logo que o roubo começou, disse Sorensen, e a polícia chegou em poucos minutos.
'Grave perda'
Segundo ele, trata-se de uma "grave perda", e talvez esta versão de O Grito "nunca mais seja vista".
Há três outras versões da pintura, uma das mais conhecidas do mundo.
Uma delas já foi roubada uma vez em Oslo em 1994 e recuperada meses mais tarde.
Seguradoras afirmaram que O Grito estava segurado para a eventualidade de ser danificado por fogo ou água, mas não para casos de roubo, por ser uma peça insubstituível.
Completado por Munch em 1893, O Grito já foi avaliado no mercado em algo em torno de US$ 60 milhões a US$ 75 milhões.
*Com informações da Radio 4, da BBC