18 de agosto, 2004 - 02h48 GMT (23h48 Brasília)
Paulo Cabral
de Santo Domingo
Depois de incentivar a entrada na Seleção Brasileira em uma Missão de Paz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer agora envolver o futebol nas negociações comerciais.
Ao se encontrar, na terça-feira, em Santo Domingo, com os jogadores que vão participar do "Jogo da Paz" no Haiti, o presidente Lula disse que em breve iria "provocar" o presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Ricardo Teixeira, com a idéia da criação de uma "Seleção do Mercosul".
"Nós temos de fazer uma Seleção do Mercosul porque, eu não sei se vocês percebem, o Brasil está ocupando um espaço muito importante na geografia comercial do mundo. O Brasil vai exportar neste ano US$ 90 bilhões e não está mais fazendo negócios só com os Estados Unidos e a União Européia, mas buscando parceiros em todo o mundo", disse o presidente aos jogadores.
"E nós queremos fazer um jogo da Seleção do Mercosul com a Seleção da União Européia, para mostrar que nós também somos primeiro mundo. O Brasil dá repeito e quer respeito."
Generosidade
Mas o presidente ressalvou que o time não pode ser formado só por jogadores brasileiros.
"Temos de trabalhar em um espírito de generosidade. O time não pode ser só de brasileiro. Temos de ter também argentinos, uruguaios e paraguaios", disse ele, arrancando algumas risadas da platéia e rindo ele mesmo.
"O que vocês não podem é criar um problema político insolúvel com a seleção", completou.
O presidente ganhou de presente um par de chuteiras do jogador Ronaldo.
"Estou sempre à disposição do governo e também à disposição da ONU para os projetos sociais que forem necessários", afirmou o atacante.
Pontapé inicial
Há rumores de que o presidente Lula dará o pontapé inicial na partida de quarta-feira entre Brasil e Haiti.
Assessores dizem que o presidente não tomou nenhuma decisão sobre isso. O próprio Lula não nega nem confirma.
"A chuteira eu já tenho", disse apenas o presidente quando repórteres fizeram perguntas sobre o assunto.