16 de agosto, 2004 - 23h28 GMT (20h28 Brasília)
Paulo Cabral
Enviado especial a Santo Domingo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva felicitou o líder venezuelano Hugo Chávez pela vitória no referendo que lhe garantiu a Presidência até 2006, mas ressalvou que "a paz vai depender da maturidade, dos governantes e da oposição, para entender a mensagem que o povo venezuelano deu às autoridades."
Lula disse que estava ciente das "declarações que têm sido feitas pela oposição na Venezuela". Parte da oposição está fazendo acusações de fraude e manipulação por parte do governo Chávez.
Mas o presidente brasileiro afirmou que conversou com representantes dos grupos internacionais que monitoraram o referendo - o ex-presidente americano Jimmy Carter; o embaixador brasileiro na OEA, Walter Pecly; o secretário-geral da OEA, Luiz Gaviria; e o ex-presidente argentino Eduardo Duhalde, que representou o Mercosul - e ouviu de todos indicações de que o referendo teria transcorrido de maneira regular.
"Quem ganhou tem de ter muita humildade e quem perdeu muita serenidade. Eu falo isso de cátedra porque vocês sabem que eu perdi três eleições mas nunca perdi a noção de tempo da democracia e esperei o momento", declarou o presidente.
Lula conversou com o presidente Chávez por telefone na tarde da segunda-feira.
Países Amigos
O presidente Lula destacou a importância da participação do Grupo de Amigos da Venezuela - composto por Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal - na resolução da crise venezuelana.
Lula observou que mesmo a formação deste grupo teve de ser precedida de intensa negociação com os venezuelanos.
"Tivemos alguma dificuldade para convencer o governo da importância da participação também da Espanha e dos Estados Unidos, representando a oposição", disse o presidente.
"Os países amigos deram uma demonstração de que quando há vontade política e paciência, mas ao mesmo tempo perseverança, a gente consegue consolidar coisas que até então pareciam impossíveis. O Brasil tem uma participação importante porque acreditou nisso o tempo inteiro e em nenhum momento fomos pessimistas."
Integração
O presidente disse esperar que a conclusão do referendo na Venezuela facilite o processo de integração econômica, física e política da América do Sul, que faz parte da estratégia de polítca exterior do Brasil.
"Eu acho que este exemplo na Venezuela pode fortalecer muito a tão sonhada integração comercial, cultural, política e física que nós queremos construir."
Lula disse que a Venezuela tem grande potencial econômico mas que precisa de paz e de foco no futuro para desenvolvê-lo.
"A Venezuela é um país rico, que produz petróleo como poucos produzem no mundo, que tem um potencial de gás excepcional e que, portanto, poderia ser muito mais rico do que é se resolvesse os problemas da convivência democrática e da diversidade."