13 de agosto, 2004 - 08h26 GMT (05h26 Brasília)
Edson Porto
enviado especial a Caracas
No último dia de campanha antes do referendo que vai definir o destino do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a frente de oposição conseguiu reunir milhares de pessoas na capital Caracas para pedir a saída do governante.
Segundo estimativas da Coordenação Democrática, que promoveu o evento, cerca de 800 mil pessoas estavam presentes na avenida Francisco Fajardo, local do encontro, no momento de pico da manifestação.
Embora o número seja impreciso e difícil de conferir, para jornalistas que têm acompanhado as manifestações ligadas ao referendo, o evento da quinta-feira foi o maior organizado tanto pela oposição como pelo governo.
O presidente Hugo Chávez encerrou a sua campanha para se manter no governo em outra manifestação, em frente ao Palácio Miraflores, também na capital. O comício de Chávez foi o segundo organizado por ele para encerrar a campanha do referendo.
O maior evento de encerramento patrocinado pelo governo, no entanto, ocorreu no domingo passado, quando os organizadores disseram ter reunido até 900 mil pessoas – embora os números de outras fontes tenham ficado muito abaixo disso, entre 100 mil e 150 mil.
'Natureza espontânea'
Assim como em boa parte do mês de campanha, as manifestações da quinta-feira foram realizadas sem violência ou grande problemas.
Para os representantes da Coordenação Democrática, o tamanho de sua manifestação e o que chamam de "natureza espontânea" do evento são prova da popularidade de sua campanha.
"Estamos certos de que vamos vencer", disse José Luiz Mieja, secretário-geral do Movimento Primeira Justiça, partido político da frente contra Chávez, durante a manifestação em Caracas.
Os oposicionistas dizem que, nos eventos de Chávez, a cidade fica cheia de ônibus com pessoas do interior do país e acusam o presidente de pagar, de uma forma ou de outra, pelo apoio.
O governo contesta e diz que tem enorme apoio popular – especialmente dos pobres – e uma base muito maior do que seus opositores.
A partir desta sexta-feira, manifestações e propagandas em rádio e televisão ficam proibidas até a votação de domingo.