13 de agosto, 2004 - 09h52 GMT (06h52 Brasília)
Edson Porto
Enviado especial a Caracas
A dois dias da realização do referendo que vai decidir o destino político do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, tanto ele como a oposição se dizem certos da vitória.
Em um comício na capital, Caracas, para marcar o fim da campanha para o plebiscito de domingo, o presidente defendeu a sua permanência no cargo.
Chávez disse que “é impossível, absolutamente impossível, que ocorra alguma surpresa”, ou seja, que ele perca o referendo.
Também em Caracas, a Coordenação Democrática, a frente de oposição ao presidente venezuelano, terminou a campanha com uma grande manifestação e descartou a possibilidade de derrota.
O principal líder da oposição, Enrique Mendoza, afirmou que não se poderá evitar uma “avalanche de votos” contra Chávez.
“Vamos ganhar com uma grande margem, vamos ter 5 milhões de votos”, afirmou o deputado Carlos Ocavis, do Movimento Primeira Justiça – que faz parte da Coordenação Democrática.
Dúvidas
A confiança demonstrada pelos dois lados apenas aumenta as dúvidas sobre o resultado efetivo do referendo de domingo.
As pesquisas mais recentes – desde de domingo passado não se podem mais divulgar resultados de levantamentos – têm apresentado números próximos e, por vezes, contraditórios.
Na semana passada, o jornal El Universal divulgou um levantamento feito pela empresa Félix Seixas, segundo o qual a oposição venceria por 50% dos votos contra 44%, com 6% de indecisos.
Mas, poucos dias antes, outro diário, o El Nacional, um jornal claramente oposicionista, divulgou uma pesquisa que dava a vitória para Chávez com 45% dos votos a favor e 34% contra ele.
Afora os políticos e os partidários mais entusiasmados, os venezuelanos não arriscam um resultado.
Indecisos
“A situação ainda está muito indefinida”, diz a cientista política Elza Cardoso, da Universidade Central.
Ela diz que o maior problema é o grande número de indecisos que aparece em muitas pesquisas.
“Dependendo do levantamento, pode-se chegar até a 30% de indecisos. São eles que vão decidir, e é difícil dizer para que lado eles vão.”
Segundo Cardoso, embora boa parte dos indecisos esteja nas classes sociais mais baixas, teoricamente mais inclinadas a votar em Chávez, a crise econômica recente do país pode estar erodindo parte do apoio que o presidente tem entre os pobres.
Para Elza, e a maioria dos venezuelanos, a dúvida que hoje marca o país só será respondida definitivamente no domingo.