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10 de agosto, 2004 - 10h34 GMT (07h34 Brasília)

Presidente argentino faz queixa da Petrobras ao Brasil, diz 'Clarín'

A reunião do presidente da Argentina, Néstor Kirchner, com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, em Buenos Aires, "pôs à prova o músculo da aliança estratégica com o governo Lula", afirma o jornal argentino Clarín.

Os dois reuniram-se na segunda-feira na Casa Rosada. Segundo o diário, "sem muito rodeio de palavras, Kirchner apresentou de cara sua preocupação mais imediata com o Brasil: seu descontentamento com a Petrobras na Argentina".

Fontes não identificadas do Clarín disseram que Kirchner teria dito que a Petrobras mantinha "uma política empresarial oposta aos objetivos estratégicos consentidos com o Brasil".

"Ante um Amorim bastante surpreendido", escreve o jornal, o presidente disse que a empresa era "irresponsável na liquidação de ações sem fazer investimentos na prospecção" e que "não teve liderança na tarefa de ampliar a rede de transporte de gás do sul". Kirchner referia-se aos planos de ampliação do gasoduto no sul do país.

De acordo com o Clarín, Amorim comprometeu-se a "fazer tudo o que está a seu alcance" para resolver a situação.

Al-Qaeda

A edição desta terça-feira do jornal americano The New York Times publica uma matéria sobre a nova geração de líderes da rede Al-Qaeda.

O diário diz que as informações foram coletadas no Paquistão, em julho, após a prisão do especialista em computação Mohammed Naeem Noor Khan.

"Analistas de serviços de inteligência dizem que os cargos de liderança da Al-Qaeda estão sendo ocupados por membros do baixo escalão ou recentes recrutas."

O New York Times afirma que "as novas evidências sugerem que a organização está se regenerando e trazendo novo sangue".

O papel de Osama bin Laden na Al-Qaeda permanece "turvo", afirma o diário, "mas, nos meses recentes, há evidências que levam alguns analistas a concluir que Bin Laden pode ter conseguido manter grande controle nos planos de ataques".

Jornalismo

O projeto de lei enviado pelo governo brasileiro ao Congresso e que cria o Conselho Federal de Jornalismo é citado nos jornais El País e Financial Times.

O diário espanhol comenta que "a idéia de regular a profissão jornalística talvez tivesse sido menos polêmica no Brasil se o presidente Lula não houvesse demonstrado publicamente, desde que chegou ao poder, uma certa insatisfação com os meios de comunicação, que, segundo ele, preferem publicar notícias negativas a positivas".

Já o britânico Financial Times afirma que "muitos temem que o Conselho possa ser abusado para intimidar jornalistas politicamente".

Também na edição desta terça-feira, o Financial Times publica uma matéria sobre o consumo de bens de luxo no Brasil.

"A economia do Brasil cresceu, em média, um mero 1,5% anual nos últimos cinco anos. Ainda assim, o mercado de produtos de luxo cresceu 38% a cada ano, em real ou com inflação ajustada."

O jornal cita o bairro dos Jardins, em São Paulo, onde estão concentradas as boutiques internacionais.

O correspondente do Financial Times ainda faz uma comparação: uma pessoa que ganha um salário mínimo de R$ 260 teria que trabalhar 40 meses para comprar um relógio de ouro da Cartier, e o custo de uma Ferrari poderia alimentar sete famílias de quatro pessoas por 20 anos.