08 de agosto, 2004 - 08h54 GMT (05h54 Brasília)
Thomas Pappon
enviado especial a Atenas
As jogadoras de handebol feminino estão sonhando alto: com um lugar no pódio na Olimpíada de Atenas.
Os recentes resultados obtidos pela equipe mudaram o objetivo inicial, de apenas melhorar o resultado conquistado na Olimpíada de Sidney 2000, quando a equipe ficou em 8º. lugar.
Em um torneio pré-olímpico disputado há 15 dias na França, a seleção bateu a Dinamarca, bi-campeã olímpica , e perdeu por apenas dois gols para a Hungria, tida por muitos como favorita ao ouro.
“Os dois jogos foram muito apertados”, disse o técnico Alexandre Schneider à BBC Brasil, após o treino do final da tarde deste sábado em Atenas, que teve ênfase em contra-ataques.
“ Isso nos deu uma perspectiva muito boa. Se mantivermos esse mesmo tipo de maturidade, talvez possamos fazer uma grande Olimpíada”.
Medalha
“Para ser sincera”, disse a jogadora Chana Masson à BBC Brasil, “isso (conquista de medalha) passou pela minha cabeça. Depois do torneio que a gente fez na França, a esperança é grande”.
Schneider disse que a evolução da seleção nestes últimos quatro anos se deve ao êxodo de jogadoras para a Europa.
“Nós temos hoje oito atletas que jogam na Europa. Naquela época (Sidney) havia apenas a goleira, a Chana, que tinha se transferido há pouco tempo para a Espanha”.
Chana, que hoje joga na Dinamarca e é tida como um dos principais destaques da equipe, concorda: “Infelizmente, não temos adversários fortes na América. O Brasil cresceu muito graças ao intercâmbio que vem sendo realizado nesses últimos anos.”
“Você estar jogando e treinando com as melhores jogadoras do mundo, isso só ajuda. Quando nos encontramos com a seleção, o grupo nota isso. A gente consegue passar para elas o que aprende aqui.”
Treinamento
Outro fator que pode levar a equipe do handebol feminino a supreender em Atenas é sua forte preparação.
“Desde fevereiro, a equipe passou 20 dias treinando junto, todos os meses”, contou o chefe da delegação de handebol, Fabiano Redondo.
“As meninas que jogam na Europa se integraram a este grupo em junho. Em julho passamos dez dias de aclimatação na Espanha e seis dias na França, para o torneio.”
“Nenhuma seleção, acredito eu, teve tanto tempo de preparação como a nossa”, disse Schneider.
O Brasil deve fazer um amistoso com Angola nesta segunda-feira e estréia na Olimpíada no sábado, dia 14, contra a Grécia.
O adversário mais temido é a Hungria.
“Elas são vice-campeãs mundiais e olímpicas, e fortes candidatas ao ouro. Vai ser um jogo difícil de vencer”, disse à BBC Brasil o chefe da delegação
“Os outros três adversários, Grécia, Ucrânia e China, estão no mesmo nível do nosso.”
“A equipe que esperamos surpreender é a Ucrânia”, disse ele.
Os jogadores do handebol masculino chegam à Atenas nesta segunda-feira.