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06 de agosto, 2004 - 18h37 GMT (15h37 Brasília)

Sebastian Usher

Mídia árabe destaca 'sofrimento iraquiano em Najaf'

A mídia árabe tem realizado ampla cobertura dos conflitos em Najaf, a partir do ponto de vista daqueles que estão dentro da cidade.

Correspondentes dos principais canais de TV árabes via satélite estão entrando na programação a partir da cidade sagrada para os xiitas, inclusive com entrevistas ao vivo de porta-vozes do líder rebelde Moqtada Al-Sadr.

Pouca atenção tem sido dada à versão americana sobre os combates.

As duas redes de notícias mais assistidas no mundo árabe, Al-Jazeera e Al-Arabiya, têm encabeçado sua cobertura com Najaf, ambas exibindo imagens vívidas da violência.

Cerco a Najaf

O correspondente da Al-Arabiya disse que a cidade está sob cerco e semi-deserta, com todas as estradas fechadas e sem que ninguém tenha permissão de entrar ou sair.

Além das reportagens sobre o combate, a Al-Jazeera levou ao ar uma entrevista com um representante de Al-Sadr em Bagdá.

O porta-voz, xeque Mahmoud Al-Sudani, culpou os americanos e as autoridades iraquianas pelo início do conflito.

"Parece que esta escalada militar das forças americanas foi estudada e bem planejada", afirmou.

"Não queríamos esta escalada. As forças dos Estados Unidos e o governador de Najaf são inteiramente responsáveis por isso."

Assim como no primeiro dia de conflito, a Al-Jazeera não confrontou o impacto das declarações dos seguidores do líder xiita com nenhum comentário dos militares americanos ou do governo iraquiano.

O correspondente da emissora em Najaf também lançou a culpa pelo combate sobre os americanos, alegando que eles haviam rompido o cessar-fogo ao retomar o patrulhamento da cidade.

O conflito em Najaf tem sido exibido pelas TVs árabes como mais um enfrentamento no Iraque em que os iraquianos comuns são as vítimas.

No total da cobertura, nenhum dos lados é responsabilizado, mas a inferência é que novamente os americanos se mostram insensíveis com relação ao bem-estar da população do Iraque.

Essa é uma mensagem que pode servir a Al-Sadr, tanto no Iraque como no restante do mundo árabe.