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05 de agosto, 2004 - 13h01 GMT (10h01 Brasília)

Vicky Ntetema
de Dar es Salaam

Noivo abandonado processa hospital por erro em teste de Aids

Um noivo abandonado da Tanzânia está processando o hospital responsável pelo falso diagnóstico de HIV que provocou a separação do casal.

Ramadhani Kaya estava pronto para sair em lua-de-mel quando recebeu os resultados positivos para o teste de HIV. Agora, Kaya quer uma indenização de US$ 50 mil, o equivalente a cerca de R$ 150 mil.

Kaya, que se considera um homem "muito religioso", disse que não poderia estar com Aids e fez outros três testes em outras instituições. Todos deram negativo. No entanto, a família da esposa de Kaya não acreditou nos outros resultados, e ela acabou abandonando o rapaz e voltando a morar com os pais.

O hospital tanzaniano afirmou que não vai comentar o caso até que uma investigação interna seja concluída.

Diagnóstico rápido

A má notícia sobre o teste voluntário que Kaya e sua noiva fizeram chegou poucas horas depois de o casal confirmar os votos de fidelidade.

Por pressão de parentes pelo lado da mulher, o casal acabou fazendo o teste em um laboratório especializado em diagnósticos rápidos na cidade de Dar es Salaam.

Kaya afirma que a pressão começou depois de "boatos" sobre ele estar com Aids.

Depois de receber a informação de que seria HIV positivo, Kaya iniciou uma cruzada para provar o contrário.

Ele fez outros testes em um centro de aconselhamento local para Aids, um centro internacional e um laboratório do governo da Tanzânia.

De posse dos três resultados negativos de três centros confiáveis, Kaya voltou ao primeiro centro e pediu que eles mudassem os resultados do teste feito em outubro.

Novo teste

No entanto, segundo Kaya, eles se recusaram a fazê-lo, já que, segundo eles, ele não pediu para repetir o teste.

Para Kaya, o dinheiro da indenização nunca vai poder compensar as perdas que ele sofreu.

"Tenho noites insones. Perdi os meus negócios e a minha mulher. Os parentes dela não me querem perto dela", diz Kaya.

O tanzaniano diz que aprendeu, com a experiência, a reconhecer o sofrimento e o estigma enfrentado pelos soropositivos.

"Estou sendo estigmatizado", afirmou Kaya.