02 de agosto, 2004 - 09h48 GMT (06h48 Brasília)
A desigualdade social vem crescendo desde que o Partido Trabalhista do primeiro-ministro Tony Blair chegou ao poder na Grã-Bretanha, em 1997.
Essa é uma das conclusões de um estudo do Instituto para Pesquisa de Políticas Públicas sobre a pobreza na Grã-Bretanha.
A proporção da riqueza concentrada nas mãos dos 10% mais ricos do país cresceu de 47% para 54% durante a década de 90. Entre 1996/1997 (ano em que Blair tomou o poder) e 2001/2002, o índice Gini, que mede a desigualdade social, subiu de 33 para 36 (0 sendo uma sociedade igualitária e 100 totalmente desigual).
No entanto, a pesquisa também indica que há menos gente vivendo na linha da pobreza hoje do que quando Blair assumiu.
O instituto conclui que o Partido Trabalhista britânico deve "defender publicamente uma Grã-Bretanha mais justa e igualitária".
'Base para política'
Quando o instituto divulgou a última versão desse estudo, há dez anos, Tony Blair prometeu usá-lo como base para a sua política.
Na versão mais recente da pesquisa, o instituto elogia o governo Blair por ter conseguido reduzir a pobreza infantil.
Por outro lado, o documento diz que outros grupos na pobreza não receberam ajuda suficiente do governo.
Entre eles, segundo o instituto, estão os adultos sem filhos, cuja proporção que vive na pobreza subiu nos últimos dez anos.
Promessa
Uma das promessas na área social do governo britânico é eliminar a pobreza infantil até 2020.
"Apesar da coragem manifestada nas promessas de erradicação da pobreza infantil e na expansão dos serviços públicos, o governo não articula consistentemente e não defende uma Grã-Bretanha mais justa e igualitária", afirmou o diretor do instituto, Nick Pearce.
Para o estudioso, os próximos cinco anos serão provavelmente "politicamente críticos".
Analistas da BBC afirmam que o estudo do Instituto de Pesquisa em Políticas Públicas é especialmente constrangedor para o governo Blair porque a instituição é sabidamente alinhada politicamente com o Partido Trabalhista.