01 de agosto, 2004 - 17h21 GMT (14h21 Brasília)
John Moylan
de Genebra
O alívio era palpável quando foi anunciada a decisão de um acordo na Organização Mundial do Comércio, em Genebra, na madrugada de domingo.
A reunião para aprovação do acordo tinha sido adiada por uma hora e meia por razões bizarras.
Na urgência de montar o novo texto, parece ter havido problemas em eliminar e pôr novos trechos no documento, e algumas delegações se deram conta que a redação final não era o que tinha sido acertado.
Então, o texto teve que ser refeito e um carrinho com pilhas de documentos foi trazido para a sala de reuniões na noite de sábado.
Humor
Ficamos esperando do lado de fora, imaginando quando tempo iria demorar, e uma hora mais tarde o porta-voz da OMC, Keith Rockwell, descreveu o momento em que o diretor da OMC submeteu o documento à aprovação formal dos delegados dos países.
"Ele perguntou à assembléia: 'Posso deduzir que o acordo foi aprovado?', E sim, tinha sido", disse Rockwell.
"O acordo tinha sido aprovado, a decisão tinha sido tomada, o pacote de julho foi fechado."
Durante todo o dia, o humor entre ministros e diplomatas parecia melhorar, na medida em que as áreas mais problemáticas foram sendo acertadas.
O acordo cobre liberalização comercial na agricultura, em bens industriais e serviços, mas provavelmente vai ser lembrado como o momento em que o mundo em desenvolvimento finalmente acertou um golpe contra os subsídios que os países ricos dão a seu agricultores.
Só vai ficar claro o quão significativo foi esse golpe depois de mais anos de negociação para detalhar esse acordo de 17 páginas. O documento tem apenas parâmetros.
E há muito trabalho pela frente, porque essas 17 páginas têm que se transformar em um documento de centenas de páginas.
O detalhe precisa ser incluído e será apenas então que se poderá avaliar até que ponto esse acordo é bom para os países ricos e até que ponto é bom para os mais pobres.
Rumo certo
Agora, os delegados vão tirar folga, dormir muito e então retomar as negociações.
Será difícil, porque há eleições presidenciais nos Estados Unidos, em novembro, e há mudanças na Comissão Européia.
Mas se olharmos para o colapso das negociações em Cancún, em setembro passado, havia temor pelo futuro desta rodada de negociações e pelo futuro do multilateralismo no comércio.
Nessa noite, porém, a sensação era a de que a Rodada de Doha, que começou em 2001, voltou a ter rumo.
Todo o processo ganhou um certo estímulo.
No próximo ano, ou talvez dois anos, esse documento magro será ampliado.
De qualquer maneira, porém, é improvável que os efeitos desse acordo sejam sentidos antes de uma década ou mais.