30 de julho, 2004 - 00h50 GMT (21h50 Brasília)
Paulo Cabral
enviado especial a Boston
No último dia da convenção democrata em Boston, mais dois pré-candidatos derrotados por John Kerry durante as primárias que selecionaram o indicado do partido fizeram discursos afirmando apoio irrestrito ao senador.
Nos seus pronunciamentos, o general reformado Wesley Clark e o senador Joseph Lieberman nem citaram a disputa na fase pré-eleitoral e o desejo estarem no lugar de Kerry, ao contrario do que fizeram outros dois pré-candidatos - Howard Dean e Richard Gephardt - que discursaram no início da semana.
"Conheço John Kerry há quatro décadas, desde que fomos à mesma faculdade, e posso garantir que durante toda a sua vida, ele se preocupou com a comunidade e respondeu ao chamado da nação com patriotismo e objetivos claros", disse o senador Joe Lieberman - candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Al Gore, nas eleições do ano 2000.
"Que campanha foi aquela, não? E, quando ela terminou, nós ganhamos, não ganhamos?", perguntou, numa referência à acusação, sempre repetida pelos democratas de que os republicanos só ocupam a Casa Branca porque, entre outras coisas, a Suprema Corte impediu a recontagem de votos na Flórida.
Iraque
Durante as primárias, Lieberman era o único candidato democrata que se posicionava abertamente a favor da Guerra no Iraque, embora fizesse coro com os companheiros de partido ao criticar as estratégias do presidente Bush para conduzi-la.
"Para fazer os Estados Unidos fortes de novo temos de manter nossos militares fortes. Temos de apoiar nossas corajosas e brilhantes tropas que libertaram o Afeganistão e o Iraque de tiranias assassinas e que estão, esta noite, lutando para permitir que governos livres e estáveis sejam criados nesses países", disse o senador.
"John Kerry e John Edwards estão dispostos a terminar este missão, a honrar o trabalho de nossos soldados e a apoiar as famílias deles quando eles voltarem para casa."
Lieberman comparou a guerra contra "os terroristas islâmicos que nos odeiam mais do que amam à própria vida" às lutas contra o nazismo e o comunismo.
"Não se enganem: como nos conflitos anteriores (contra o nazismo e o comunismo) está é uma guerra de valores", disse.
Segurança Nacional
O general reformado Wesley Clark abriu o discurso se apresentando como "um soldado americano" e em seu pronunciamento tratou exclusivamente de temas ligados à guerra e à segurança nacional.
"Nosso país foi atacado. Estamos em guerra. Nossa nação está em risco e engajada em um esforço de vida ou morte contra terroristas que estão buscando armas nucleares e biológicas", disse o ex-general.
"Nossa liberdade foi conquistada através de guerras e protegida geração após geração por generoso trabalho e sacrifício."
Clark - que já comandou forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e fez sua estréia na política nestas eleições presidenciais - disse que John Kerry está preparado para ser o comandante supremo das forças armadas americanas.
"Escolham um líder que tem a coragem física, os valores morais e o bom senso para, com a graça de Deus e nosso forte apoio, fortalecer o país, proteger a liberdade, renovar nosso espírito e assegurar o futuro de nossas crianças", pediu Clark aos eleitores.