29 de julho, 2004 - 10h19 GMT (07h19 Brasília)
O ritmo desta convenção está longe da valsa e mais longe ainda do hip-hop.
Os democratas não querem dançar com os republicanos nem avacalhar com eles.
Michael Moore está na audiência, perto dos caciques mas longe do palco.
Bill Clinton, Jimmy Carter, Al Gore e outros lideres do partido atacaram o governo Bush usando metáforas e imagens limpas sem agressoes diretas.
O único que engrossou o calibre do ataque, foi o senador Ted Kennedy, como se esperava .
O tiro mais contundente até agora foi de Bill Clinton quando disse que o presidente Bush, o vice Cheney e ele, Clinton , inventaram pretextos para escapar da guerra do Vietnã.
John Kerry, de familia afluente, poderia ter feito o mesmo mas se alistou como voluntário e disse mandem-me, em inglês, send me. A interpretação de Clinton provocou delírio na convenção.
A expressão já pegou e vai virar refrão nesta campanha.
Clinton e a liderança do Partido dizem que interessa aos republicanos uma América dividida e polarizada enquanto os democratas querem uma América unida.
É boa retórica mas os republicanos também sabem que quem radicalizar, perde.
A idéia do país polarizado é uma criação de políticos, ativistas extremistas, pesquisas distorcidas e parte da imprensa interessada em promover o racha.
Trabalhos de vários acadêmicos sérios, entre eles Morris Fiorina, mostram que na história americana existiram três períodos profundamente divididos: na guerra civil, na grande depressão e na década de sessenta.
Hoje há divergências em questões chaves como guerra do Iraque, orçamento, controle de armas, pena de morte, aborto, casamento gay, cotas raciais e células tronco mas não são divisões de 50-50.
Em todas elas há pontos de convergência. Quem evitar os extremos como o de Michael Moore, na esquerda e Rush Limbaugh, na direita e conseguir ocupar o meio do campo vai ganhar a eleição.