29 de julho, 2004 - 13h18 GMT (10h18 Brasília)
Justin Webb
de Boston
Eu ouvi uma boa parte do discurso que John Edwards fez em Boston e fiquei um pouco desapontado. Não sei se o povo americano também vai ficar. Talvez poucas pessoas tenham ouvido o suficiente sobre ele.
A suposição nessa convenção é que eles estão partindo do zero, mas boa parte desse discurso é o mesmo discurso que Edwards vem fazendo já há algum tempo.
Certamente, durante as primárias, ele falou sobre duas Américas, uma para os que têm posses e outra para os despossuídos, e com freqüência fala sobre sua própria origem humilde.
Tudo isso é para garantir que não haverá uma única pessoa nos Estados Unidos que não conheça essa história e que não tenha tido a chance de ter empatia com Edwards.
Discurso
É nisso que ele é bom. É isso o que fez dele um brilhante advogado nos tribunais.
A outra parte do discurso foi toda sobre John Kerry, particularmente, sobre seu serviço militar e sobre a necessidade de manter os Estados Unidos fortes.
Houve até alguns detalhes sobre dobrar o tamanho das Forças Especiais e investir em nova tecnologia militar.
Os estrategistas da campanha de Kerry adotaram a posição de não usar Edwards para atacar a oposição como o vice-presidente republicano, Dick Cheney, fez na convenção de seu partido em 2000.
Em vez disso, Edwards quis se conectar com os Estados Unidos e, uma vez mais, relacionar duas palavras: Kerry e força.
Para muitos americanos, foi o momento de serem apresentandos à mulher de Edwards, Elizabeth.
Ela tem sido um caso de sucesso nessa convenção, assim como foi nas primárias.
Modelo
Elizabeth impressionou fortemente as pessoas que a encontraram. Ela fica a meio caminho entre uma primeira-dama tradicional e Teresa Heinz-Kerry.
A mulher de Edwards tem brilho próprio, bem-sucedida, mas com aquela habilidade das primeiras-damas de ficar mais nos bastidores, em um papel coadjuvante. Elizabeth é um modelo de mulher de vice-presidente.
Quando Kerry estava procurando por um vice, muitos acharam que ele não escolheria Edwards porque poderia ser ofuscado pelo colega de chapa.
Mas nós temos que levar isso em consideração: candidatos a vice não têm capacidade de decidir uma eleição nos Estados Unidos.
Quando chegar a hora dos grandes debates, toda a atenção estará voltada para John Kerry e George W. Bush.