22 de julho, 2004 - 23h27 GMT (20h27 Brasília)
Marcelo Starobinas
A revista britânica The Economist critica duramente o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS), numa reportagem sobre o desmatamento da floresta Amazônica.
A edição, que começa a ser vendida nesta sexta-feira, traz uma extensa reportagem de capa sobre o projeto de melhorias na rodovia BR-163 (que liga Cuiabá a Santarém) e as eventuais ameaças ambientais do projeto.
Maggi, que além de governador é um dos proprietários do maior grupo produtor de soja do mundo, é apresentado como uma ameaça para a floresta.
"Durante o ano em que Maggi assumiu o governo, o índice de desmatamento mais que dobrou", afirma a revista, que diz que ele "certamente não é de abraçar árvores".
Irritação
Falando à BBC Brasil, o governador do Mato Grosso rebateu as acusações e mostrou irritação com a forma como foi retratado pela The Economist.
"Eu já havia decidido não conversar mais com a imprensa internacional sobre a questão ambiental brasileira porque, por mais que você explique e apresente números oficiais do governo brasileiro, as pessoas têm uma tendência de distorcer os números, não querem entender os números", declarou.
Maggi acrescentou que o último levantamento sobre o desmatamento no Estado que comanda é de 2002 e que, desta forma, a revista não teria como demonstrar que a derrubada de árvores cresceu no primeiro ano de seu mandato, 2003.
A reportagem insinua que, enquanto grande produtor de soja, os interesses do governador estariam na contramão da preservação ambiental.
"Tudo o que é bom para a soja é ruim para o Brasil, acreditam muitos brasileiros. Ela contribui para o desflorestamento, geralmente de forma indireta, ocupando pastos e empurrando os fazendeiros mais para dentro da floresta. Ela polui os rios com pesticidas. Plantadores de soja acumulam terras, mas empregam poucas pessoas", afirma a reportagem.
Novamente, o governador questiona os argumentos da publicação britânica. "A soja tem proporcionado ao MT e ao Brasil crescimento na área econômica, trazendo melhoria da qualidade de vida, das estradas, das escolas, da saúde", disse Maggi.
"Se você olhar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) que alcançamos no MT, isso foi proporcionado pela soja."
A The Economist destaca também uma declaração do governador do Mato Grosso, que representaria a vontade dele em avançar com o desmatamento amazônico.
"Você não pode fazer omeletes sem quebrar os ovos", disse Maggi à revista, que acrescenta que o governador "se opõe a novas reservas para os indígenas, que foram, até agora, os protetores mais confiáveis da floresta".
O governador diz que está agindo de acordo com a lei, que "permite o uso do solo da floresta amazônica para a produção de grãos e outras coisas".
Não a novas reservas
Sobre as reservas, Maggi afirmou: "Temos 12 milhões de hectares de áreas preservadas para os indígenas no MT, é muito maior que muitos países da Europa. Isso corresponde a 11% do território matogrossense, que é respeitado".
"Não queremos ampliar novas reservas. Cada vez que você quer criar novas reservas, cria problemas sociais muito grandes com outros moradores, fazendeiros, pequenos produtores e cidades. Não quero confusão, não quero briga no Estado do MT."
Maggi ilustra com números o seu argumento de que ainda há muito espaço para cultivar na região da Amazônia.
Ele explica que "61% do território brasileiro é considerado amazônico. Apenas 14,7% do território amazônico está ocupado. E apenas 1,48% desse 61% está sendo utilizado para a agricultura, o que é um número muito pequeno", afirmou.
"Isso tudo tem que ser dito dentro de um contexto geral. Estamos falando de 61% do território brasileiro e não como se estivéssemos olhando o quintal da casa do repórter que escreveu a matéria."