21 de julho, 2004 - 00h28 GMT (21h28 Brasília)
Paulo Cabral
de Washington
O Brasil não vai doar dinheiro para os esforços de reconstrução do Haiti, apesar de liderar a força de estabilização da ONU no país.
“O Brasil não é um doador líquido de recursos financeiros na área de cooperação internacional ou ajuda ao desenvolvimento”, explicou o subsecretário de cooperação internacional do Itamaraty, Ruy Nogueira, em seu discurso na Conferência Internacional de Doadores, encerrada nesta terça-feira em Washington.
Mas o embaixador afirmou que o Brasil - além de comandar a força de estabilização da ONU no Haiti e ter 1,2 mil soldados na capital - está à disposição para prestar auxílio técnico para a reconstrução do país.
“A ajuda do Brasil a países em desenvolvimento pode ser medida pelo trabalho de técnicos e consultores, pela promoção de cursos de treinamento, pelo desenvolvimento de profissionais e pelo envio de pequenos equipamentos que podem ser usados em projetos específicos de cooperação internacional”, declarou o embaixador.
Eleições
Segundo o diplomata, o Brasil vai enviar ao Haiti uma “missão multidisciplinar” que vai identificar possibilidades de cooperação nas áreas de saúde, agricultura, defesa civil, tratamento de água e disposição de lixo.
O embaixador disse ainda que o Brasil tem conhecimento técnico para ajudar o Haiti na realização das eleições gerais, previstas para fevereiro de 2006.
“Aproximadamente 100 milhões de brasileiros participaram das últimas eleições presidenciais no Brasil”, disse o embaixador.
“Graças ao sistema de votação eletrônica, os resultados foram divulgados no mesmo dia. O Brasil pode fornecer esta tecnologia ao Haiti.”