22 de maio, 2004 - 18h40 GMT (15h40 Brasília)
Flavia Nogueira
enviada especial a Cannes
O documentário Fahrenheit 911, do diretor americano Michael Moore, ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes de 2004 neste sábado.
O filme, o primeiro documentário a ganhar o prêmio desde 1956, faz duras críticas ao presidente americano, George W. Bush, e à guerra ao Iraque.
Ao subir no palco, Moore brincou com o presidente do júri, Quentin Tarantino: "Você fez isso apenas para perturbar", afirmou.
Em seu discurso, Moore agradeceu à sua equipe e citou Abraham Lincoln, "um grande presidente republicano dos Estados Unidos que disse 'se você disser a verdade ao povo, a República estará a salvo'."
"Dedico essa Palma de Ouro à minha filha, às crianças da América e do Iraque, e a todos aqueles que sofrem as ações dos Estados Unidos", disse.
Outros prêmios
O Grand Prix foi para o filme Old Boy, do diretor sul-coreano Park Chan-Wook.
O prêmio de melhor direção foi para o francês nascido na Argélia Tony Gatlif.
O melhor ator foi o japonês Yagira Yuuya, pelo filme Nobody Knows, do diretor Kore-Eda Hirokazu.
A premiação de melhor atriz foi para a chinesa Maggie Cheung, por sua atuação no longa Clean, do diretor francês Olivier Assayas.
A atriz americana Irma P. Hall (Matadores de Velhinha) e o diretor tailandês Apichatpong Weerasethakul (Tropical Malady) receberam o prêmio do júri.
A Palma de Ouro para curta-metragem, para o qual concorria o brasileiro Quimera, de Erik Rocha, foi para Trafic, do diretor romeno Catalin Mitulescu.
O prêmio do júri foi para Flatlife, curta em animação do diretor belga Jonas Geirmaert.
O prêmio Camera D’or foi para o filme Or (mon trésor), de Keren Yedaya.
Famosos
A atriz Charlize Theron, que trabalha em um dos filmes da Competição Oficial, The Life and Death of Peter Sellers, anunciou o ganhador da Palma de Ouro.
Pouco antes foi a vez de os atores Kevin Kline e Ashley Judd anunciarem o Grande Premio do Júri.
Durante a tarde deste sábado, foi anunciado o prêmio da mostra Un Certain Régard (Um Certo Olhar), que foi para o diretor senegalês Ousmane Sembere, pelo filme Moolaade.
O longa, muito elogiado pela crítica, examina a questão da circuncisão feminina no Senegal.
Tapete vermelho
Os primeiros convidados para o anúncio dos vencedores dos prêmios do Festival de Cannes começaram a chegar uma hora antes da festa, subindo os degraus do Grand Théatre Lumière, no Palais.
Mas a multidão de fãs e fotógrafos já se aglomerava horas antes do início da cerimônia na arquibancada improvisada em frente à entrada do tapete vermelho e o número de pessoas foi crescendo ainda mais a ponto de fechar as outras pistas da avenida em frente ao Palais.
Os primeiros atores, diretores e membros do júri chegaram ao tapete vermelho apenas pouco antes da cerimônia.
O cineasta tailandês Apichatpong Weerasethakul, diretor do filme em competição Tropical Malady, foi um dos primeiros a chegar ao Grand Théatre Lumière.
Logo em seguida, foi a vez do diretor francês Olivier Assayas, a atriz Maggie Cheung e o ator Nick Nolte, do filme em competição Clean, subirem as escadarias.
Do júri, Quentin Tarantino e a atriz britanica Tilda Swinton foram os primeiros a chegar e parar para os fotógrafos no tapete vermelho, seguidos pelas atrizes Kathleen Turner e Emmanuelle Béart.
O cineasta Michael Moore subiu as escadarias pouco depois, e foi muito aplaudido pela multidão que cercava o Lumière.
Charlize Theron chegou em seguida e pouco depois foi a vez da atriz americana Ashley Judd, que parou para dar entrevistas em francês no tapete vermelho, assim como o ator Kevin Kline. Os dois foram os que ficaram mais tempo posando para os fotógrafos nas escadarias do Lumière.