17 de agosto, 2008 - 11h51 GMT (08h51 Brasília)
O presidente russo, Dmitri Medvedev, disse ao líder francês, Nicolas Sarkozy, que as tropas russas iniciarão a retirada do território da Geórgia na segunda-feira.
O anúncio foi feito por telefone ao líder francês apenas horas depois de o comandante das tropas russas na região, o major-general Vyacheslav Borisvov, ter afirmado que a retirada gradual já havia começado.
Borisov disse à BBC que ele havia ordenado que os soldados fossem substituídos por agentes de paz e que a retirada estaria em andamento.
Depois do anúncio de Medvedev, autoridades francesas afirmaram que Sarkozy alertou o presidente russo que Moscou enfretaria sérias conseqüências caso não implementasse o acordo de paz, assinado no sábado.
Presença russa
O secretário do Conselho de Segurança da Geórgia, Alexander Lomaia, disse que a maior parte das tropas já deixou a cidade de Gori, a 70 km da capital, Tbilisi, mas que ainda permanecem nas áreas próximas da cidade.
Segundo Lomaia, a movimentação das tropas ao redor de Gori parece ser mais uma tentativa de redisposição do que um esforço de retirada.
O correspondente da BBC na cidade, Gabriel Gatehouse, disse que apesar da presença militar russa ter sido reduzida, o Exército ainda controla as principais estradas de acesso à cidade e que não há sinais de tropas georgianas na região.
A retirada imediata das tropas russas da Geórgia está prevista no plano de paz proposto pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, e assinado pelos líderes da Rússia e da Geórgia.
O acordo prevê que os dois lados encerrem as atividades militares e retornem às suas posições originais de antes do início do conflito.
Apesar da assinatura, a Rússia até agora não havia dado detalhes sobre um calendário para a retirada das tropas.
Sarkozy, que mediou as negociações de paz entre os dois, alertou as autoridades russas que, segundo o acordo, suas tropas estariam barradas de qualquer área urbana central na Geórgia.
No entanto, em uma carta endereçada ao presidente georgiano, Sarkozy disse que as tropas russas tinham o direito de patrulhar “poucos quilômetros” além da zona de conflito na Ossétia do Sul.
O presidente francês ressaltou ainda que os termos do acordo que permitiriam à Rússia adotar medidas adicionais de segurança “de nenhum modo limita ou coloca em perigo a liberdade de movimento e a viagem pelas estradas e ferrovias da Geórgia” e não se aplicaria a nenhuma cidade ou município.
“Estou pensando especialmente na cidade de Gori”, disse Sarkozy.
Controle
O correspondente da BBC Richard Galpin, que viajou pela estrada que leva a capital da Geórgia, Tbilisi, à costa do Mar Negro, a oeste, disse que as forças georgianas parecem estar entregando o controle da estrada aos russos.
Segundo ele, havia um grande número de tropas russas na cidade de Senaki, ao oeste do país, no sábado.
Na cidade de Zestafoni, ele testemunhou o desespero dos residentes locais depois que rumores foram espalhados de que o Exército russo estava a caminho.
Em um vilarejo, um soldado russo disse ao correspondente que ele pensava que seu destino final na missão na Geórgia seria
Tbilisi – algo que o Kremlin nega.
Outro disse que acredita que as forças russas irão permanecer na Geórgia por até um ano.
Comunidade internacional
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve votar o rascunho de uma resolução para formalizar o acordo de cessar-fogo ainda neste domingo.
A chanceler alemã, Ângela Merkel, chegou em Tbilisi neste domingo, onde se encontrará com Saakashvili para discutir o conflito.
No sábado, o presidente americano George W. Bush afirmou que a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre Rússia e da Geórgia trouxe “esperança” para a resolução dos conflitos.
Segundo ele, a Rússia deveria honrar o acordo e retirar suas tropas da Geórgia.
Bush afirmou ainda que as províncias separatistas de Ossétia do Sul e a Abecásia são parte da Geórgia e que “não há espaço
para debate” nesse assunto.
Há relatos de que o presidente da Geórgia concordou apenas depois de muita relutância, com uma das cláusulas do documento
– a de que participar de discussões internacionais sobre o futuro das províncias separatistas.