15 de agosto, 2008 - 04h42 GMT (01h42 Brasília)
O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, afirmou nesta quinta-feira que o mundo pode esquecer a possibilidade de a Ossétia do Sul e a Abecásia "voltarem" a fazer parte da Geórgia.
"As pessoas podem esquecer qualquer conversa sobre a integridade territorial da Geórgia porque, acredito eu, seria impossível convencer a Ossétia do Sul e a Abecásia a concordar com a lógica de que eles podem ser forçados de volta para o Estado georgiano", disse Lavrov a repórteres.
Ainda nesta quinta-feira, o presidente russo, Dmitry Medvedev, reuniu-se com os líderes separatistas da Ossétia do Sul e da Abecásia em Moscou.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, fez um alerta aos russos de que a não retirada de Geórgia poderia prejudicar as relações entre Moscou e Washington por anos.
Os novos desdobramentos na crise do Cáucaso ocorrem dois dias depois de acertado um cessar-fogo entre Geórgia e Rússia, mediado pelo governo francês, que atualmente detém a presidência rotativa da União Européia.
O acordo previa que os dois lados retornariam às suas posições originais de antes do início do conflito, mas a Geórgia acusa os russos de violar o acordo ao manter militares fora das regiões da Ossétia do Sul e Abecásia.
Gori
Os russos continuam em controle da estratégica cidade de Gori, fora da Ossétia do Sul e a 70 km da capital georgiana, Tbilisi, depois que uma tentativa de patrulhamento conjunto com a polícia georgiana fracassou.
Os russos dizem que já começaram a devolver o controle de Gori à polícia georgiana, mas insistem que a permanência das suas tropas na cidade é necessária para manter a lei e a ordem.
Correspondentes da BBC informam que os policiais estão fora da cidade e temem entrar e sofrer retaliações dos soldados da Rússia e dos rebeldes da Ossétia do Sul, que apóiam os russos.
Gori fica a 25 km da fronteira da Geórgia com a Ossétia do Sul e, na sexta-feira passada, serviu de base para o ataque georgiano contra a região separatista.
Desde então, a cidade se tornou um ponto estratégico e foi tomada pelos russos, que revidaram a incursão das tropas da Geórgia na Ossétia do Sul.
Também há relatos sobre ações de militares russos nas cidades de Poti e Senaki, no oeste da Geórgia e também fora das regiões separatistas.
Moscou inicialmente negou relatos de que seus militares estariam em Pori, mas o general Anatoly Nogovitsyn admitiu a presença em entrevista coletiva e defendeu a operação como legítima como parte de operações de inteligência.
Proteção da capital
A correspondente da BBC Tbilisi Natalia Antelava informa que centenas de tropas georgianas estão no caminho para a capital com o objetivo de, segundo o Ministério do Exterior, proteger Tbilisi. Moscou diz não ter planos de invadir a cidade, mas a Geórgia diz não ter motivos para acreditar nos vizinhos.
O governo da Geórgia espera que a visita da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, ao país do Cáucaso coloque mais pressão sobre Moscou e crie condições para o retorno de milhares de refugiados que deixaram a Geórgia nos últimos dias por causa da violência.
Apesar do alerta que fez a Moscou, o secretário de Defesa americano disse acreditar que os russos de fato estejam se retirando.
"Eles parecem estar retirando as suas forças para a Abecásia e a região de conflito, na direção da Ossétia do Sul", disse Robert Gates.
Segundo o secretário americano, os russos estão tentando compensar o que vêem como concessões que teriam sido obrigados a fazer após o colapso da União Soviética e tentando "reafirmar seu status internacional".
Por outro lado, a Geórgia, segundo Gates, está sendo punida pela sua aproximação com o Ocidente e particularmente pelos seus esforços para integrar a Otan (aliança militar liderada pelos Estados Unidos).
O correspondente da BBC em Washington Justin Webb diz que embora tenha deixado claro que a postura agressiva da Rússia não é aceitável, o secretário também deixou claro que não usará a força contra a Rússia.
A Geórgia atacou a região rebelde da Ossétia do Sul na semana passada, provocando a retaliação russa.