11 de agosto, 2008 - 15h20 GMT (12h20 Brasília)
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakasvhili, acusou a Rússia de tentar realizar uma limpeza étnica no país, durante um discurso nesta segunda-feira na capital, Tbilisi.
Segundo ele, as tropas russas estariam executando civis em território georgiano e seriam responsáveis pelo “assassinato a sangue frio e premeditado” de um país pequeno.
A Rússia também acusa a Geórgia de limpeza étnica pela campanha militar contra a Ossétia do Sul, região em que rebeldes lutam para se separar da Geórgia e se juntar à Ossétia do Norte, localizada no lado russo.
Nesta segunda-feira, o embaixador russo na Otan (aliança militar liderada pelos EUA), Dmitry Rogozin, disse que Saakasvhili deve ser punido por "crimes de guerra".
"Tropas georgianas violaram convenções internacionais. Estamos falando de genocídio e limpeza étnica", disse Rogozin em Bruxelas. "É um genocídio pré-planejado."
O presidente afirmou ainda que as forças russas teriam como alvo principal áreas civis na cidade de Gori, que fica perto da região da Ossétia do Sul e foi parcialmente destruída por bombardeios russos durante o último fim de semana.
Questionado sobre uma possível rendição da Geórgia, Saakasvhili afirmou que não há planos desta espécie.
“Iremos proteger todas as casas da Geórgia, iremos proteger o máximo possível”, disse o presidente.
Paz
Saakasvhili destacou ainda que o país está esperando por uma intervenção e que o principal objetivo no momento é restabelecer a paz na região.
De acordo com ele, o país irá sobreviver e, eventualmente, será reconstruído.
O presidente traçou paralelos entre o conflito atual e a crise dos Bálcãs na década de 90 e afirmou que a Geórgia estaria no processo de uma invasão.
O líder da Geórgia afirmou ainda que os conflitos não teriam sido iniciados por tropas georgianas.
Os conflitos tiveram início na última sexta-feira depois que as tropas da Geórgia cercaram a capital da Ossétia do Sul, depois de uma noite de intensos conflitos e ofensivas na região.
Os combates começaram poucas horas depois de acertado um cessar-fogo em conversações mediadas pela Rússia. Cada lado culpa o outro pela quebra do cessar-fogo.
O governo da Geórgia afirmou, na ocasião, que pretendia encerrar o que chamou de “um regime criminoso” e restabelecer a ordem na região.
Nesta segunda-feira, o presidente da Geórgia assinou uma proposta de cessar-fogo apresentada pela União Européia. A Rússia
ainda não aceitou o plano.