21 de junho, 2008 - 15h26 GMT (12h26 Brasília)
O Irã afirmou neste sábado considerar “impossível” um eventual ataque militar israelense contra suas instalações nucleares e classificou o governo israelense de “perigoso”.
“Tal audácia de embarcar em um ataque contra os interesses e a integridade territorial de nosso país é impossível”, disse o porta-voz do governo iraniano Gholam Hoseyn Elham.
As afirmações foram feitas em meio a especulações geradas por uma reportagem publicada na sexta-feira pelo jornal americano The New York Times dizendo que Israel havia realizado treinamentos militares para um eventual ataque ao Irã.
As Forças Armadas de Israel se negaram a comentar as alegações, dizendo apenas que realiza treinamentos constantes para várias possíveis missões com o objetivo de combater as ameaças ao país.
Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam o Irã de tentar desenvolver armas atômicas, mas o governo iraniano afirma que seu programa nuclear é pacífico e visa apenas a geração de energia para fins civis.
O porta-voz disse que o Irã está estudando uma proposta feira por Estados Unidos, Rússia, China Grã-Bretanha, França e Alemanha para negociações preliminares sobre seu programa nuclear, mas rejeitou a exigência de que ele seja interrompido como pré-condição para o diálogo.
“Sobre a suspensão já foi dito que suspensão das atividades e suspensão do enriquecimento (de urânio) não é uma questão lógica que seria aceitável e em qualquer caso a continuação das negociações não será baseada na suspensão do enriquecimento’, disse Elham.
Bola de fogo
A possibilidade de um ataque israelense ao Irã também foi criticada por Mohammed ElBaradei, diretor da AIEA, a agência da ONU para energia atômica.
Para ele, um ataque tornaria a posição do Irã mais agressiva e transformaria a região em uma “bola de fogo”.
ElBaradei disse acreditar que não há um “risco iminente” de que o Irã consiga desenvolver armas atômicas, dado o atual estágio de seu programa nuclear.
Em entrevista à TV Al Arabiya, ElBaradei disse que se qualquer ação militar for tomada contra o Irã ele deixará seu cargo
na direção da AIEA.