15 de abril, 2008 - 18h15 GMT (15h15 Brasília)
Assimina Vlahou
De Roma para a BBC Brasil
O recém-eleito primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, declarou nesta terça-feira em seu primeiro encontro com a imprensa em Roma que pretende endurecer o controle nas fronteiras do país, para diminuir os altos índices de criminalidade.
"A Itália tem um índice de criminalidade 30% maior do que outros paises europeus por causa da desvairada decisão de deixar as fronteiras abertas", disse Berlusconi, ao falar, em Roma, diante de jornalistas italianos e estrangeiros.
"Vamos fechar as fronteiras e aplicar a lei Bossi-Fini", afirmou Berlusconi, fazendo referência à lei que restringe a entrada de estrangeiros no país.
A lei Bossi-Fini, que regula a imigração, leva o nome de dois dos principais aliados políticos de Berlusconi: Umberto Bossi, líder da Liga Norte, partido separatista e avesso a estrangeiros, e Gianfranco Fini, conservador da Aliança Nacional.
"Vamos contrastar a criminalidade, cada vez mais perigosa para mulheres e idosos, com maior policiamento, a aplicação da lei Bossi-Fini e a colaboração com outros países do Adriático e Mediterrâneo”, afirmou.
A colaboração com os paises do Adriático e do Mediterrâneo prevê a "restituição a estes paises dos extracomunitários que de lá chegaram até nós", completou Berlusconi.
Lixo em Nápoles e Alitalia
Berlusconi disse também que resolver a crise do lixo em Nápoles e salvar a companhia aérea Alitalia.
"Estarei em Nápoles três vezes por semana para resolver a crise do lixo", disse o líder nesta terça-feira.
"Só vou sair (da cidade) quando tiver certeza de que encontrei uma solução definitiva", acrescentou.
Pilhas de lixo se espalham pelas ruas de Nápoles há meses e o odor está incomodando os moradores.
A coleta no município foi interrompida em dezembro e os aterros de lixo estão cheios.
Aos 71 anos de idade, o líder de centro-direita, um dos homens mais ricos do país, disse em uma entrevista no rádio nesta terça-feira que planeja anunciar seu gabinete dentro de uma semana.
Comentando a crise na Alitalia, Berlusconi disse: "Vou assumir o controle da situação e fazer o que for necessário para que esta empresa símbolo opere e continue a serviço do turismo e da economia italiana".
Ele prometeu manter a companhia sob o comando dos italianos, repudiando uma proposta de compra pela Air France-KLM.
Nas eleições gerais no país, Berlusconi e sua coalizão obtiveram maiorias sólidas tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados.
Segundo o Ministério do Interior italiano, com quase a totalidade dos votos apurados, a coalizão liderada por Berlusconi obteve 47,2% dos votos no Senado, contra 38,1% da coalizão de centro-esquerda.
Na Câmara dos Deputados, a coalizão de Berlusconi ficou com 46,5%, contra 37,8%.
Os resultados mudaram dramaticamente o panorama político na Itália,
Segundo o correspondente da BBC em Roma, Jonny Dymond, o número de partidos que elegeram representantes para a câmara caiu de 26 para seis.
Dymond acrescentou, no entanto, que Berlusconi terá de fazer acordos difíceis com parceiros em potencial.
Seu governo enfrenta a dura tarefa de reviver a economia italiana, que sofre com uma baixa produtividade e um Euro forte,
e cuja previsão de crescimento para o ano é de 0%.