08 de março, 2008 - 07h10 GMT (04h10 Brasília)
O governo chinês vai impor regras mais rígidas às estrelas internacionais do rock e do pop que se apresentarem no país.
A decisão foi anunciada depois que a cantora Björk defendeu a independência do Tibete durante um show em Xangai.
A cantora gritou “Tibete, Tibete” depois de cantar a música Declare Independence.
Irritado com o incidente, o ministro da Cultura da China disse que Björk não apenas “violou as leis como feriu os sentimentos do povo chinês”.
Falar sobre a independência do Tibete é tabu na China. O país governa o território desde 1951.
Mais rigor
Para evitar novos episódios como esse, o ministro prometeu mais rigor às regras impostas aos cantores e grupos internacionais.
“Vamos aumentar o controle nos shows de artistas estrangeiros na China para impedir que casos semelhantes ocorram no futuro”, declarou o ministro à agência de notícia chinesa.
Ele afirmou ainda, que o governo não admite qualquer tentativa de separar o Tibete da China e que não vai acolher nenhum artista que defenda isso deliberadamente.
“Não sou político, sou apenas uma artista que sente a responsabilidade de tentar expressar todos os tipos de emoções humanas”, disse Björk.
Em seu site, a cantora disse que escreveu a música Declarate Independence baseada em experiências pessoais. “Mas o fato é que pode ser traduzida com outros significados, como o esforço das nações oprimidas. O que me dá muito prazer”, afirmou.
Esforço global
Ativistas dos direitos humanos e muitos políticos no mundo inteiro criticam a política chinesa no Tibete.
Muitos tibetanos são leais ao líder espiritual exilado, o Dalai Lama, considerado separatista pelo governo chinês.
No mês passado, num show no Japão, Björk dedicou a música Declare Independence ao Kosovo. Ele costuma cantá-la em campanha a favor da Groenlândia e das ilhas Faroe - territórios controlados pela Dinamarca.
O comportamento da cantora em Xangai não foi noticiado pela imprensa local, controlada pelo Estado.