28 de fevereiro, 2008 - 19h05 GMT (16h05 Brasília)
A facção política leal ao clérigo xiita iraquiano Moqtada al-Sadr ameaçou nesta quinta-feira convocar uma greve geral e protestos no Iraque devido à rejeição, por parte do Conselho da Presidência, de uma proposta de lei sobre poderes regionais no país.
A lei era apontada como um dos pontos mais importantes na criação de uma legislação que promova a reconciliação nacional. Se fosse aprovada, a proposta abriria caminho para eleições nas províncias iraquianas.
Um porta-voz do grupo leal a Sadr, Nassar Rubaie, afirmou que a decisão do Conselho da Presidência é uma forma de ditadura.
O Conselho da Presidência do Iraque não revelou qual de seus três integrantes rejeitou a proposta de lei.
Mas políticos sadristas culparam um dos vice-presidentes, Adel Abdulmahdi, considerado um dos políticos importantes do partido xiita adversário, o Conselho Islâmico Supremo do Iraque.
Divisão
O partido de Abdulmahdi não concorda com a extensão do poder que poderia ser concedida aos governos regionais.
O conselho presidencial do Iraque é formado pelo presidente Jalal Talabani, que é curdo, o vice-presidente xiita Abdulmahdi e o vice-presidente sunita Tariq al-Hashemi.
A proposta de lei rejeitada nesta quinta-feira, que também define as relações entre Bagdá e as autoridades locais, era uma das 18 metas estabelecidas pelo governo americano para o processo de reconciliação política no Iraque.
O presidente Talabani e os dois vice-presidentes iraquianos apoiaram na quarta-feira as outras duas leis que fazem parte do pacote - o orçamento de 2008 e uma lei de anistia para prisioneiros.
Correspondentes afirmam que, enquanto os curdos queriam a aprovação do orçamento, os árabes sunitas queriam a lei de anistia e os muçulmanos xiitas queriam a aprovação das eleições regionais.