20 de janeiro, 2008 - 19h28 GMT (17h28 Brasília)
Boa parte da cidade de Gaza ficou no escuro neste domingo, depois que as autoridades palestinas fecharam a principal usina de eletricidade da cidade, alegando não ter mais combustível para fazê-la funcionar por causa do bloqueio israelense.
Israel fechou as fronteiras de Gaza, atualmente controlada pelo grupo miliatnte Hamas, e bloqueou a entrada de combustíveis e outros produtos, em represália ao lançamento de mísseis a partir do território palestino.
"Pelo menos 800 mil pessoas estão agora no escuro", disse o diretor da usina Derar Abu Sissi, de acordo com a agência de notícias Reuters. "A catástrofe vai afetar hospitais, clínicas, poços de água, casas, fábricas, todos os aspectos da vida."
Muitos palestinos correram aos supermercados em busca de velas, comida e outros suprimentos que temem faltar caso a situação não seja normalizada rapidamente.
Por causa do inverno, a região tem o maior consumo de energia nesta época.
Israel continua fornecendo energia a Gaza por meio da sua própria rede elétrica, que geralmente garante metade da energia usada no território palestino.
Segundo os israelenses, com essa energia e os estoques de combustíveis supostamente existentes, os palestinos não precisariam fechar a sua usina nem passar por apagões.
"Eles (os palestinos) têm interesse em exagerar ( a situação)", disse o ministro do Exterior israelense, Arye Mekel. "A bola está com eles. Se pararem os mísseis hoje, tudo vai voltar ao normal."
A Organização das Nações Unidas (ONU) já alertou Israel de que o fechamento das fronteiras deve apenas aprofundar a crise que a região já atravessa. A maior parte dos habitantes de Gaza já depende de ajuda humanitária para sobreviver.
Segundo a entidade, a suspensão das operações da principal usina elétrica de Gaza pode ter um impacto devastador sobre a população de cerca de 1,5 milhão de palestinos.
As fronteiras entre Israel e Gaza foram fechadas na quinta-feira, depois de uma escalada de violência de militantes.