18 de janeiro, 2008 - 02h09 GMT (00h09 Brasília)
A Assembléia Nacional da Venezuela concedeu nesta quinta-feira status político aos grupos guerrilheiros Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e Exército de Libertação Nacional (ELN).
A medida vem ao encontro de pedido feito pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, ao governo da Colômbia e à comunidade internacional, para que reconheçam que ambos têm "um projeto político".
Segundo o deputado Saúl Ortega, o reconhecimento político de ambos é parte "da saída para o conflito colombiano".
A resolução da Assembléia reconhece "o caráter beligerante dos movimentos insurgentes (Farc e ELN) como sinal de boa vontade para lhes dar um tratamento político que gere confiança para as futuras negociações, no caminho da paz na Colômbia".
Os parlamentares, a maioria deles favorável ao governo, também rejeitaram as "listas unilaterais impostas pelo governo dos Estados Unidos".
Segundo o texto aprovado pela Assembléia Nacional venezuelana, estas listas qualificam como "terroristas" os "movimentos de libertação e os Estados não-subordinados à dominação".
A medida não contou com o apoio do Partido Podemos, um grupo de sete parlamentares dissidentes que se abstiveram de votar e repudiaram os métodos violentos utilizados por ambos os grupos rebeldes.
"Se o problema é ideológico, as idéias são combatidas com discussões, não com terrorismo, seqüestro, bombas, extorsão", afirmou o deputado Juan José Medina, do Partido Podemos, ao jornal El Nacional.
Troca de farpas
A deterioração das relações entre Colômbia e Venezuela continuou nesta quinta-feira. Um comunicado da chancelaria venezuelana acusou o governo colombiano de estar "mais preocupado em salvar as aparências do que em salvar a vida de seus cidadãos".
A iniciativa foi uma resposta a um pedido anterior da Colômbia que exigia "respeito" por parte da Venezuela.
Segundo a declaração venezuelana, o governo colombiano "está se lançando contra o presidente Chávez porque ele é o único que teve sucesso na libertação de reféns e que explorou o único caminho para a paz e a unidade de que necessita nosso povo irmão: o caminho do diálogo e do entendimento".
Ainda nesta quinta-feira, o chefe do Estado Maior Conjunto dos Estados Unidos, almirante Michael Mullen, afirmou durante uma visita a Bogotá que Washington vê com preocupação as declarações do presidente Chávez sobre as Farc, assim como a compra de armamento sofisticado por parte da Venezuela.