29 de dezembro, 2007 - 20h40 GMT (18h40 Brasília)
A comissão eleitoral do Quênia decidiu neste sábado suspender a contagem dos votos das eleições presidenciais, em meio a alegações de irregularidades e violentos protestos em várias cidades do país.
O candidato de oposição, Raila Odinga, está virtualmente empatado com o atual presidente, Mwai Kibaki. A contagem parcial oficial dá a Odinga a uma pequena vantagem, mas números não-oficiais, divulgados depois, indicam que Kibaki teria passado à frente por uma estreita margem.
A oposição acusa o governo de tentar manipular o resultado do pleito, alterando o resultado das contagens e adicionando votos irregulares nas urnas.
Segundo jornalistas que acompanham o pleito, os protestos, que já teriam causado pelo menos três mortes, foram desencadeados pelos atrasos na apuração.
A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar grupos de jovens que estavam saqueando e queimando casas.
Caos
A contagem dos votos deve ser retomada neste domingo.
Em Nairóbi, a capital do país, houve cenas de caos depois que o presidente da Comissão Eleitoral, Samuel Kivuitu, anunciou uma contagem parcial que indicava que Odinga havia perdido boa parte da vantagem que mantinha desde o início da apuração.
Segundo a correspondente da BBC em Nairóbi Karen Allen, Kivuitu revelou uma série de irregularidades que prejudicaram o processo eleitoral.
Kivuitu disse que algumas autoridades eleitorais desapareceram depois de sofrerem intimidação e, em um distrito eleitoral, o número de pessoas que votou foi maior do que o de eleitores registrados.
O partido do presidente Kibaki, o Partido da Unidade Nacional, disse que iria esperar o resultado oficial da eleição antes
de se pronunciar e que a totalização dos votos seja acelerada.