28 de dezembro, 2007 - 10h10 GMT (08h10 Brasília)
Seis franceses condenados no Chade por tentativa de seqüestro de crianças serão repatriados nesta sexta-feira, de acordo com autoridades do país.
O grupo, que pertencia à ONG Arche de Zoé, foi condenado na quarta-feira a oito anos de prisão e trabalhos forçados no Chade por tentar sair do país com mais de cem crianças.
A ministra francesa da Justiça, Rachida Dati, havia pedido que os seis cumprissem pena na França, conforme previsto em um acordo de 1976.
Além disso, como recordou o editor de África da BBC Martin Plaut, os franceses têm considerável influência sobre o governo do Chade.
"Foi o apoio militar de Paris que salvou o presidente Idris Deby de ser derrubado por rebeldes em diversas ocasiões - uma dívida que ele agora retribuiu", afirmou o editor.
Polêmica
Os funcionários da ONG alegaram que estavam tentando levar as crianças para a Europa pois elas seriam órfãs que escaparam da conturbada região de Darfur, no Sudão.
No entanto, a maior parte das crianças era natural do Chade e tinha pais vivos.
Christophe Letien, porta-voz da entidade, havia dito à BBC que ficara "surpreso, indignado e confuso com o julgamento". Os franceses chegaram a fazer uma greve de fome em dezembro, alegando que estavam sendo maltratados.
Outras 12 pessoas que haviam sido detidas junto com o grupo – entre elas dois jornalistas franceses e tripulantes espanhóis – não enfrentaram processos e já voltaram para a Europa.
A Unicef, agência das Nações Unidas de apoio à infância, disse que a tentativa da missão francesa de retirar as crianças do Chade era ilegal sob as leis internacionais.
Dois africanos – um homem do Chade e outro do Sudão – também foram condenados a quatro anos de prisão por cumplicidade no caso.