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27 de dezembro, 2007 - 19h45 GMT (17h45 Brasília)

Protestos colocam polícia do Paquistão em alerta vermelho

A morte da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto provocou uma onda de protestos em algumas das principais cidades do país e forçou o Ministério do Interior a colocar forças de seguranças em alerta vermelho.

Segundo um correspondente da BBC, a onda de violência é pior na província de Sindh, o reduto eleitoral de Bhutto, no sul do país. Na capital provincial, Karachi, milhares teriam participado de protestos, incendiando carros e imóveis.

Episódios parecidos foram registrados em Hyderabad e em Jacobabad, onde o principal tribunal foi atingido por um incêndio.

De acordo com a agência de notícias Associated Press, pelo menos nove pessoas morreram em protestos – quatro em Karachi, duas em Sindh, duas em Lahore e uma em Tando Allahyar.

Leia mais: Atentado no Paquistão mata ex-premiê Benazir Bhutto

Musharraf

A televisão paquistanesa exibiu imagens feitas em Rawalpindi, onde ocorreu o assassinato de Bhutto, mostrando seguidores do partido da ex-primeira-ministra atacando viaturas da polícia.

Muitos manifestantes culparam o governo pelo ocorrido.

A agência France Presse informou que, em Jacobabad, lojas que pertencem à família do atual primeiro-ministro interino, Mohammedmian Soomro, foram incendiadas assim como retratos do premiê.

Em Peshawar, no noroeste, a polícia usou cacetetes e bombas de gás lacrimogêneo para conter a multidão, que gritava palavras de ordem contra o presidente Pervez Musharraf.

Musharraf decretou três dias de luto nacional em virtude da morte de Bhutto e pediu calma à população.

VejaAssista a imagens do local do atentado contra Benazir Bhutto

Boicote

O ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif anunciou nesta quinta-feira que seu partido, a Liga Muçulmana do Paquistão – Grupo de Nawaz Sharif (PML-N, na sigla em inglês), não participará das eleições parlamentares marcadas para 8 de janeiro.

"Em vista desse trágico incidente, nosso partido decidiu boicotar essas eleições, porque a responsabilidade recai sobre o governo", disse Sharif.

"Acho que é nosso dever moral, nosso dever nacional e nosso dever como patriotas paquistaneses que expressemos solidariedade integral a Benazir Bhutto, ao povo de Sindh e ao resto do país e boicotemos as eleições", acrescentou o ex-primeiro-ministro.

"Porque ninguém tem nenhuma fé, nenhuma confiança nessas eleições com Musharraf no poder", afirmou Sharif.

O ex-primeiro-ministro exigiu que Musharraf renuncie imediatamente, acusando-o de ser a "causa de todos os problemas", e conclamou outros partidos a também anunciarem um boicote ao pleito de janeiro.