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19 de dezembro, 2007 - 00h00 GMT (22h00 Brasília)

Farc anunciam entrega de reféns a Chávez

As Forças Armadas Revolucionárias da Colombia (Farc) anunciaram nesta terça-feira a libertação de três reféns, de acordo a agência de notícias cubana Prensa Latina.

Segundo um comunicado assinado pelo Secretariado das Farc e enviado à agência, Clara Rojas, seu filho Emmanuel, nascido em cativeiro, e Consuelo González seriam entregues ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ou a quem ele decida.

Clara Rojas, ex-candidata à vice-presidência do país - foi seqüestrada com a ex-candidata à presidência, Ingrid Betancourt, em 2002. Consuelo González era parlamentar.

O governo da Colômbia adotou uma postura cautelosa. "Nós não achamos prudente para o governo fazer declarações por enquanto pois em ocasiões anteriores as Farc anunciaram libertações como esta e elas não aconteceram", disse o Comissário pela Paz, Luis Carlos Restrepo, de acordo com a agência de notícias Reuters.

Desagravo

Para as Farc, a libertação de três refens seria "um ato de desagravo" aos familiares dos reféns, a Chávez - que participava como mediador - e à senadora colombiana Piedad Córdoba, facilitadora do acordo humanitário entre a guerrilha e o governo da Colômbia.

De acordo com o comunicado das Farc, "a ordem para libertá-los já foi dada". A data e local da libertação dos reféns não foi anunciada.

A guerrilha afirma que a "anulação da gestão facilitadora (de Chávez) foi um ato de barbárie diplomática contra o legitimo chefe de um Estado irmão e contra o povo venezuelano, solidários com a solicitação realizada por Bogotá".

No comunicado que trata de sete pontos, as Farc agradecem a Chávez "sua dedicação, o colossal esforço como facilitador, sua boa fé, sua solidariedade com a causa pacífica do povo colombiano e o tempo gasto apesar das suas grandes responsabilidades", afirma Prensa Latina.

A mãe de Ingrid Betancourt, Yolando Polencio, afirmou que o comunicado das Farc sinalizam que a mediação de Chávez e Córdoba eram "fundamentais para alcançar o acordo humanitário".

"O que peço à guerrilha é que tomem em conta também a minha filha (Ingrid Betancourt) que está sofrendo tanto", disse Polencio em uma entrevista via telefônica a televisão estatal venezuelana.

Retirada militar

As Farc insistem na retirada militar por parte do governo colombiano nos municípios da Florida e Pradera durante 45 dias, região em que seria concretizada o acordo humanitário.

Segundo o comunicado, as Farc consideram "improvisada" e "inaceitável" a proposta do governo colombiano de criar uma zona de encontro para o diálogo com o "mentiroso (Luis Carlos Restrepo,comissionado da Paz) em inóspitos, remotos e clandestinos lugares, no prazo de 30 dias".

Fim da mediação

Desde agosto, Chávez vinha atuando como mediador entre o governo da Colômbia e as Farc na busca de um acordo humanitário que permitisse que 45 reféns fossem libertos em troca da libertação de cerca de 500 integrantes do grupo guerrilheiro que estão presos.

O presidente da Colombia, Álvaro Uribe, por meio de um comunicado, decidiu "dar por terminada a mediação de Chávez".

Uribe disse que tomou esta decisão porque Chávez teria falado por telefone com o comandante do Exército colombiano, Mario Montoya, desrespeitando assim um acordo entre os dois, segundo o qual o líder venezuelano não poderia se comunicar diretamente com o alto comando militar colombiano.

Chávez atribuiu o seu afastamento das negociações com as Farc à pressão norte-americana e da elite colombiana sobre o presidente Uribe.

Poucos dias depois do fim da mediação, Chávez rompeu relações com Uribe.