18 de novembro, 2007 - 11h23 GMT (09h23 Brasília)
O subsecretário de Estado americano, John Negroponte, pediu para que o presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, acabe com o estado de emergência antes das eleições, marcadas para janeiro.
“O estado de emergência não é compatível com eleições livres, justas e com credibilidade”, disse Negroponte neste domingo, um dia depois de se encontrar com o líder paquistanês.
O americano também disse ter pressionado Musharraf para cumprir sua promessa de deixar a liderança do Exército e soltar prisioneiros políticos.
“As recentes ações políticas contra manifestantes, a supressão da mídia e as prisões de líderes políticos e de direitos humanos vão diretamente contra as reformas realizadas em anos recentes”, disse Negroponte.
Mas o enviado americano afirmou que Musharraf é um aliado valioso dos Estados Unidos na guerra contra o terrorismo e elogiou a intenção do presidente de realizar eleições no dia 9 de janeiro.
O presidente teria dito a Negroponte que a Constituição só será retomada quando o país voltar a ter lei e ordem, segundo um assessor de Musharraf.
“O presidente Musharraf deixou claro para o enviado americano que o estado de emergência só pode ser relaxado quando a situação relacionada à lei e à ordem melhorar”, disse o assessor à agência AFP.
“Ele disse ao enviado que o estado de emergência serve para reforçar o aparato de cumprimento da lei na luta contra a militância e o extremismo”, disse.
Bhutto
Mas, segundo a correspondente da BBC em Islamabad, Bárbara Plett, Negroponte deixou claro que os Estados Unidos não aceitam os argumentos usados por Musharraf para justificar o estado de emergência.
O enviado não deu sinais de que tipo de medida seu país pode tomar para pressionar o Paquistão, mas autoridades americanas disseram que houve a menção de corte de ajuda.
Negroponte é a mais importante autoridade americana a se encontrar com Musharraf desde a imposição do estado de emergência, no dia 3 de novembro.
Ele também se encontrou com outros membros do governo paquistanês e falou por telefone com a líder oposicionista Benazir Bhutto.
O enviado disse que encorajou Musharraf a retomar as conversas com Bhutto, que foram abandonadas quando a ex-primeira-ministra ameaçou liderar uma manifestação e foi colocada em prisão domiciliar.
“Se forem tomados passos dos dois lados para retomar o tipo de conversa de reconciliação que estavam tendo antes, achamos que pode ser muito positivo”, disse Negroponte.