09 de novembro, 2007 - 20h28 GMT (18h28 Brasília)
A líder da oposição paquistanesa Benazir Bhutto teve sua ordem de prisão domiciliar suspensa nesta sexta-feira, horas após a medida ter sido imposta.
A ex-primeira-ministra recebeu uma intimação que determinava sua detenção por 30 dias ao tentar sair de sua casa, na cidade de Islamabad, para se dirigir a um comício contra o estado de emergência decretado pelo presidente Pervez Musharraf, na cidade de Rawalpindi, convocado por seu partido (o PPP, Partido do Povo Paquistanês).
A tropa de choque bloqueou a rua onde fica a casa de Bhutto com arame farpado na manhã desta sexta-feira e não deixou ninguém sair ou entrar no local. A intimação foi entregue a Bhutto quando ela tentava atravessar o bloqueio da polícia.
"Pedimos para que o general Musharraf mantenha seu compromisso e se aposente como chefe do Exército no dia 15 de novembro", disse Bhutto, usando um megafone, à imprensa e a seus simpatizantes.
Reação americana
Forças de segurança paquistanesas bloquearam as estradas próximas à cidade de Rawalpindi, o local da manifestação, e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.
O PPP diz que 5 mil de seus simpatizantes já foram presos desde o final de semana passado e que 100 pessoas foram detidas na frente da casa de Bhutto nesta sexta-feira.
Analistas dizem que os acontecimentos desta sexta-feira devem melhorar a imagem de Bhutto como "defensora da democracia". Alguns partidos acreditavam que ela poderia fazer um acordo com Musharraf.
Os Estados Unidos consideram o governo de Musharraf um importante aliado na luta contra o Talebã, mas criticaram a prisão domiciliar de Bhutto e disseram que ela deveria ter "liberdade de movimento”.
"Estamos preocupados com o contínuo estado de emergência e a proibição de liberdades básicas, e pedimos para que as autoridades paquistanesas restituam rapidamente a ordem e as leis democráticas", disse Gordon Johndroe, porta-voz da Casa Branca.
Segurança
O vice-ministro da Informação paquistanês, Tariq Azim, havia dito à BBC que Bhutto estava sendo mantida em sua casa para "sua segurança". A polícia afirmou que suicidas planejavam atacar a manifestação de Rawalpindi.
Em outubro, Bhutto sobreviveu a uma tentativa de assassinato em Karachi em que cerca de 140 pessoas morreram.
Concentrações públicas estão proibidas no Paquistão sob o atual estado de emergência, imposto no sábado passado pelo presidente Pervez Musharraf.
Na quinta-feira, Musharraf prometeu que realizará eleições parlamentares até 15 de fevereiro, horas depois de ser pressionado pelo governo americano a realizar o pleito em janeiro, como previsto.
Benazir Bhutto considerou o anúncio de Musharraf "vago", e pediu ao general que abra mão de seu papel de chefe militar.