25 de outubro, 2007 - 08h32 GMT (06h32 Brasília)
Uma exposição itinerante sobre relacionamentos fracassados está fazendo sucesso em Berlim e pode ir para São Paulo.
O Museu de Relacionamentos Desfeitos pede às pessoas nas cidades por onde passa que doem lembranças de romances, sejam de casos breves ou divórcios dolorosos.
A mostra, iniciada na Croácia, passou por Bósnia-Herzegovina e Eslovênia, recebendo mais de 300 itens.
Os moradores de Berlim doaram mais de 30 objetos à exposição, inclusive um vestido de casamento e um machado, usado para destruir a mobília de uma ex-namorada.
"É uma idéia boa e simples porque todo mundo pode entender", disse Zvonimir Dobrovic, que organiza a mostra no centro cultural Tacheles, em Berlim.
"Não é pretencioso, é interativo, um lugar onde as pessoas podem apresentar suas próprias histórias e compará-las a outras."
Integrantes do público são convidados a emprestar ou doar um objeto, junto com uma breve descrição do que o artigo significa para eles, mencionando a época do relacionamento e outros detalhes.
"Mesmo que os objetos sejam comuns, as estórias são muito individuais e eles dão vida à exposição", disse.
"As pessoas realmente se divertem aqui, nós recebemos casais que passam muito tempo olhando, rindo e esperando que (a separação) nunca aconteça com eles. E tem pessoas que acabaram de se separar querem contar suas estórias", acrescentou.
A idéia surgiu de dois artistas de Zagreb, Olinka Vistica e Drazen Grubisic, que se separaram e queriam transformar o sentimento de dor em algo criativo.
"A mostra vem de uma experiência sincera e universal e nos ajudou em nosso processo de separação", disse Vistica.
Os artistas decidiram recolher os objetos que marcaram o seu relacionamento e expuseram esses artigos, pedindo que os amigos fizessem o mesmo.
Vistica disse que a exibição pode ter um efeito terapêutico.
"O impulso natural é destruir as lembranças de um relacionamento para se recuperar, mas nós pensamos em usar a criatividade para superar a dor da experiência e também para nos lembrar da alegria que esses objetos haviam trazido no passado", afirmou Vistica.
O efeito catártico é evidente em algumas das descrições que acompanham os objetos.
Uma mulher doou um machado e disse que destruiu a mobília da namorada, que a havia traído.
"Quanto mais a sala se enchia de pedaços de madeira, melhor eu me sentia. Duas semanas depois que foi expulsa da casa, ela veio buscar a mobília. Ela estava arranjada em pilhas de pedaços de madeira."
A exposição ainda será montada em Belgrado e Estocolmo antes de seguir, possivelmente, para Tóquio, Nova York e São Paulo.