14 de setembro, 2007 - 16h42 GMT (13h42 Brasília)
A ex-primeira-ministra do Paquistão, Benazir Bhutto, vai voltar do exílio auto-imposto no dia 18 de outubro, embora não tenha sido firmado um acordo de divisão de poder com o governo, segundo informações do Partido Popular do Paquistão (PPP), ao qual ela é filiada.
Um alto funcionário do PPP disse na capital paquistanesa, Islamabad, que Bhutto vai "levar de volta a verdadeira democracia ao Paquistão".
As tentativas de Bhutto de chegar a um acordo com o presidente do país, o general Pervez Musharraf, fracassaram, o que significa que ela pode ser indiciada por acusações de corrupção que ainda pesam contra ela.
A ex-primeira-ministra sustenta que o general Musharraf não pode ser presidente e chefe das forças militares ao mesmo tempo.
De acordo com a correspondente da BBC em Islamabad, Barbara Plett, as negociações de Bhutto com o enfraquecido líder militar encontram oposição dentro do próprio PPP e de muitos paquistaneses.
Aliada ou adversária?
Plett acrescenta que ainda não está claro se Bhutto voltará como adversária política de Musharraf ou como seu principal aliado.
Analistas dizem que a falta de apoio popular e de legitimidade do partido da situação, o pró-militarista PML-Q, poderia levar o general Musharraf a negociar com Bhutto, cujo partido foi o mais votado nas eleições de 2002.
Outro ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif, tentou voltar ao Paquistão na segunda-feira para disputar eleições contra Musharraf, mas acabou deportado para a Arábia Saudita.
Ele foi acusado de lavagem de dinheiro e corrupção. No entanto, o governo paquistanês afirma que Bhutto não vai ser deportada quando voltar.
A atual legislação proibiria Bhutto e Sharif de concorrer às eleições.
Ela foi primeira-ministra duas vezes: entre 1988 e 1990 e entre 1993 e 1996, mas foi demitida por suposta corrupção em ambos os mandatos.
Bhutto refuta as acusações. Ela deixou o Paquistão em 1999, embora nunca tenha sido condenada.