24 de agosto, 2007 - 22h26 GMT (19h26 Brasília)
Um ex-integrante da Ku Klux Klan, James Ford Seale, de 72 anos, foi condenado nesta sexta-feira à prisão perpétua pela morte de dois adolescentes negros no Estado americano do Mississippi em 1964.
Seale, que é ex-policial, foi acusado de seqüestro e conspiração. Como ele tem câncer nos ossos, foi enviado a uma prisão que pode lhe fornecer cuidados especiais.
Os adolescentes Charles Eddie Moore e Henry Hezekiah Dee, ambos de 19 anos, foram raptados e jogados no rio Mississippi.
Uma testemunha chave do caso, Charles Marcus Edwards – que confessou ter pertencido à Ku Klux Klan –, disse durante o julgamento que Seale amarrou pesos nos jovens antes de jogá-los no rio.
Os corpos foram encontrados meses depois durante as buscas por três conhecidos ativistas dos direitos civis, Michael Schwerner, Andrew Goodman e James Chaney, que também tinham desaparecido na área. O episódio inspirou anos depois o filme “Mississippi em Chamas”.
Sentença
O advogado de Seale, Kathy Nester, diz que o seu cliente insiste ser inocente. Ele também chamou o homem que se tornou a testemunha chave do caso de “mentiroso confesso”.
A defesa pediu absolvição de Seale.
O juiz Henry T Wingate classificou o assassinato de Moore e Dee como “horrendo”. Também não permitiu que Seale pague fiança e espere o resultado da apelação em liberdade.
Seale já havia sido preso na época do crime. Mas, as autoridades alegaram que não havia provas suficientes contra ele e o liberaram.
Segundo promotores públicos, a acusação foi deixada de lado porque a polícia local teria colaborado com a Ku Klux Klan.
O caso foi reaberto em 2005 depois que o irmão de uma das vítimas descobriu que Seale ainda estava vivo.
Seale foi reconduzido à prisão em janeiro deste ano.
Racismo
Dezenas de homens negros foram mortos por brancos que queriam manter a segregação racial nas décadas de 50 e 60.
Poucos crimes foram solucionados, em parte porque alguns dos assassinos eram protegidos por autoridades locais.
O primeiro grupo da Ku Klux Klan surgiu no sul dos Estados Unidos em 1866, mas foi banido do país seis anos depois.
Um segundo grupo que adotou o mesmo nome foi fundado em 1915.