23 de agosto, 2007 - 16h05 GMT (13h05 Brasília)
A Suprema Corte do Paquistão determinou que o ex-primeiro-ministro Nawaz Sharif pode voltar ao país e acabar com seu exílio.
Sharif deixou o Paquistão depois que foi derrubado do poder pelo atual presidente, o general Pervez Musharraf, em um golpe militar em 1999.
A campanha para o retorno de Sharif, que promete voltar a disputar eleições, é vista por analistas como um desafio ao atual presidente paquistanês, que enfrenta crescentes pressões políticas.
Mas correspondentes afirmam que o ex-primeiro-ministro ainda pode enfrentar acusações caso decida voltar ao país.
Sharif foi sentenciado à prisão perpétua por seqüestro de avião, evasão de impostos e traição e foi para o exílio depois do golpe.
As acusações de seqüestro de avião são relativas à tentativa de Sharif de impedir que a aeronave de Musharraf pousasse no Paquistão no dia do golpe.
Autoridades afirmaram que Sharif prometeu permanecer longe da política por dez anos em troca de sua liberdade e exílio na Arábia Saudita. Sharif negou que tenha feito algum acordo com o governo paquistanês.
Comemoração
Partidários de Sharif se reuniram em frente à Suprema Corte, em Islamabad, para comemorar a decisão e pedir que Musharraf renuncie à presidência.
"É um grande dia para a democracia e a lei e para os direitos fundamentais das pessoas no Paquistão", disse Nadir Chaudhri, porta-voz de Nawaz Sharif, à agência de notícias Reuters, falando do escritório do ex-primeiro-ministro em Londres.
O irmão de Sharif, Shahbaz, que também é político, também foi exilado no ano 2000.
O veredicto desta quinta-feira foi pronunciado em um momento potencialmente difícil para Musharraf, que tem planos de ser reeleito ainda em 2007.
A imprensa do Paquistão tem especulado que o presidente estaria tentando um acordo de divisão de poder com a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto.
Bhutto, que lidera o Partido do Povo Paquistanês, deixou o país em 1999, sob acusações de corrupção.
Sharif, por sua vez, lidera o maior partido em uma aliança entre seis partidos religiosos que tentam retirar Musharraf do poder.
O ex-primeiro-ministro, que oficialmente ainda lidera do exílio sua facção do partido Liga Muçulmana do Paquistão, foi primeiro-ministro do país de 1990 a 1993 e novamente de 1997 a 1999.