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17 de agosto, 2007 - 22h01 GMT (19h01 Brasília)

Bolsas reagem e encerram semana com altas

A decisão de surpresa do Fed, o Banco Central dos Estados Unidos, de reduzir as taxas de juros no país provocou altas nas bolsas e alívio para os investidores de todo o mundo nesta sexta-feira, com exceção da Ásia.

Em Nova York, o Índice Dow Jones encerrou o dia com alta de 1,82%, valorização inferior ao do índice Nasdaq (2,20%) e do Standard & Poors 500 (2,46%).

O Federal Reserve cortou a taxa de juros que adota para emprestar dinheiro aos bancos de 6,25% para 5,75%, na tentativa de conter os problemas de liqüidez que muitos bancos estão enfrentando com o agravamento da crise no setor imobiliário nos Estados Unidos.

Para explicar sua decisão, o Banco Central americano alegou ter identificado uma desaceleração do crescimento econômico, resultado da deterioração das condições do mercado financeiro, e menos crédito disponível.

Outros mercados

Na Bolsa de Valores de São Paulo, apesar do otimismo no mercado americano, o índice Bovespa viveu um dia de instabilidade, com altas e baixas durante o dia. Mas no final do pregão prevaleceu o otimismo, e o índice fechou com alta de 1,13%.

O dólar também reverteu a tendência dos últimos dias e teve a maior queda em mais de um ano. A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 2,024, o que representou uma desvalorização de 3,34%.

A decisão do Fed também teve impacto positivo nos mercados europeus, com os índices das três principais bolsas, em Londres, Paris e Frankfurt, terminando o dia com ganhos.

O índice FTSE, de Londres, encerrou as operações com alta de 3,5%, em 6.064,20 pontos. Em Frankfurt, o Dax fechou com ganhos de 1,49% e o CAC, de Paris, com variação positiva de 1,86%.

Só os mercados asiáticos que não se beneficiaram da decisão do Banco Central americano - anunciada depois do fechamento dos pregões na Ásia - e continuaram registrando as perdas que vêm se repetindo desde a semana passada.

Em Tóquio, o índice Nikkei despencou 5,4% e encerrou com 15.273,68 pontos, o seu mais baixo nível desde agosto do ano passado.

Pessimismo

Apesar da recuperação dos mercados nesta sexta-feira, muitos analistas e investidores não acreditam que a atual crise, desencadeada por incertezas no mercado americano de hipotecas para clientes de alto risco, possa já ter passado.

“Eu não acho que nós resolvemos todos os problemas do mercado de crédito com essa manobra do Fed”, disse à agência de notícias Reuters Michael James, trader do banco Wedbush Morgan, em Los Angeles.

“Ainda há tanto risco que o mercado poderá cair outros 5% a 10% daqui a três meses.”

Outros analistas foram além e viram um aspecto negativo na decisão do Fed.

“A turbulência no mercado forçou o Fed a agir aqui, e ainda que um corte de emergência (nos juros) possa dar aos mercados algum alívio temporário, alguns podem dizer que há uma impressão de pânico vindo do Fed”, disse à agência Associated Press Martin Stanley, do GFT Global Markets.