16 de agosto, 2007 - 22h01 GMT (19h01 Brasília)
Pelo menos 99 soldados americanos se mataram em 2006, o que representa a maior taxa de suicídio no Exército americano nos últimos 26 anos anos, de acordo com um relatório do próprio Exército divulgado nesta quinta-feira.
O índice de 17,3 suicídios em cada 100 mil soldados é o maior já registrado desde que o Exército começou a elaborar essa estatística, em 1980. Em 2005, a marca foi de 12,8.
As causas de outras duas mortes de soldados em 2006 ainda são investigadas. Se for comprovado que eles se mataram, o número de suicídios no ano sobe para 101.
Até hoje, o maior número de suicídios nas Forças Armadas foi registrado em 1991, ano da primeira Guerra do Golfo, quando 102 soldados se mataram.
Mas, como naquela época a quantidade de soldados na ativa era maior, o índice de suicídios em cada 100 mil soldados foi menor do que em 2006.
Estresse
Neste ano, 44 soldados tiraram a própria vida, 17 deles quando foram mandados ao Iraque ou ao Afeganistão.
Entre os soldados que tiraram a própria vida no ano passado, 28 se suicidaram enquanto integravam as tropas americanas no Iraque ou no Afeganistão.
As Forças Armadas citaram problemas de relacionamentos, questões financeiras, legais e estresse no trabalho como fatores que também podem ter provocado os suicídios.
De acordo com o relatório, não há evidências suficientes para concluir que deslocamentos repetidos ao Iraque e ao Afeganistão colocam mais homens e mulheres sob o risco de suicídio.
Mas os autores do estudo fizeram uma relação significativa entre as tentativas de suicídio e o tempo que os soldados permaneceram nas áreas de conflito.
Uma outra pesquisa publicada em março deste ano já havia descoberto que um quarto dos veteranos das guerras do Iraque e do Afeganistão tratados em centros de saúde especializados sofre problemas mentais.
O diagnóstico mais frequente era o de estresse pós-traumático. Mas ansiedade, depressão e uso de substâncias tóxicas eram considerados problemas de saúde mental.
Outros estudos anteriores também concluíram que os recursos dos centros de rehabilitação do Exército americano não foram suficientes para a quantidade de mulheres e homens enviados às últimas guerras.
Segundo a agência de notícias Associated Press, as Forças Armadas dos Estados Unidos começaram a inspecionar os programas de treinamentos e já trabalham na prevenção dos suicídios.