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14 de agosto, 2007 - 06h41 GMT (03h41 Brasília)

Multidão vai às ruas para comemorar 60 anos do Paquistão

Multidões foram às ruas em várias cidades do Paquistão para celebrar os 60 anos da criação do país - em 14 de agosto de 1947, com o fim do domínio britânico.

A celebração na capital, Islamabad, incluiu um show de fogos de artifício em frente ao Parlamento e um minuto de silêncio em memória às centenas de milhares de pessoas que morreram durante a partilha do território indiano.

Uma multidão, portando bandeiras do país, acompanhou o show de fogos. Pouco depois, segundo o correspondente da BBC Dan Isaacs, em Islamabad, uma forte tempestade caiu e encheu as ruas de lama.

VejaÍndia e Paquistão, 60 anos depois

O presidente Pervez Musharraf marcou a data com um discurso em que defendeu a soberania nacional e pediu que o país se una contra o terrorismo.

"Não estamos enfrentando o terrorismo pelos Estados Unidos, estamos fazendo isso por nós mesmos. Vejo tudo de um ponto de vista do Paquistão. Agora, se o ponto de vista do Paquistão serve para os Estados Unidos, tudo bem", disse Musharraf segundo a agência de notícias estatal do país.

As comemorações deverão se estender por toda esta terça-feira.

Al-Qaeda

Musharraf rejeitou as sugestões de alguns políticos americanos, de que os Estados Unidos deveriam usar força militar, se necessário, para combater a Al-Qaeda no Paquistão, sem a permissão do governo paquistanês.

"Tenho 200% de certeza de que estes (comentários) não são oficiais e nem foram feitos no nível do governo", disse.

Musharraf acrescentou que a Al-Qaeda e outras organizações militantes que usam áreas na fronteira do Paquistão são uma ameaça ao país e devem ser combatidas.

"É hora de a nação inteira se unir contra eles", disse.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e a rainha Elizabeth 2ª enviaram mensagens ao governo paquistanês.

Em 1947, o fim do domínio do Império Britânico na Índia resultou em dois países independentes. A própria Índia, que abrigou a população hindu e sikh, e o Paquistão - dividido em um território no Oeste e outro no Leste (que em 1971 se tornou Bangladesh) -, para onde foram os muçulmanos.

Essa partilha do território indiano, baseada na religião, resultou na migração em massa de quase 15 milhões de pessoas: muçulmanos indo da Índia em direção ao Paquistão, hindus e sikhs fazendo o caminho inverso.

Calcula-se que entre 200 mil e 1 milhão de pessoas tenham morrido na violência que se seguiu à divisão - que muitos consideram uma das maiores tragédias do século 20.

Prisioneiros

Para marcar a data, o governo do Paquistão também permitiu que 134 prisioneiros indianos voltassem para casa. A maioria deles, segundo as autoridades paquistanesas, pescadores presos quando cruzaram a fronteira.

Na Índia, as comemorações da independência serão realizadas nesta quarta-feira.

O governo indiano deverá libertar mais de 100 prisioneiros paquistaneses, segundo informações do Ministério de Relações Exteriores do Paquistão à agência de notícias AP.

O correspondente da BBC em Islamabad afirma que as comemorações no Paquistão ocorrem em meio a um período tenso no país, com crescente oposição de militantes islâmicos ao governo do presidente Pervez Musharraf.