13 de agosto, 2007 - 16h08 GMT (13h08 Brasília)
As principais bolsas de valores dos Estados Unidos abriram nesta segunda-feira com altas, refletindo a recuperação dos mercados europeus e asiáticos depois das grandes perdas da semana passada.
Às 12h11, hora de Brasília, o índice Dow Jones da bolsa de Nova York operava com alta de 0,18%, enquanto o Nasdaq subia 0,28%.
No mesmo horário, em Londres, o FTSE operava em alta de 2,6%; em Paris, o CAC subia 1,66% e, em Frankfurt, o DAX registrava alta de 1,36%.
Repetindo a manobra do Banco Central Europeu, que mais cedo havia injetado 48 bilhões de euros no mercado para evitar novas baixas, o Fed (o Banco Central americano) também voltou a intervir nos Estados Unidos.
Minutos antes do badalar do sino que dá início ao pregão da bolsa nova-iorquina, o Fed anunciou ter destinado mais US$ 2 bilhões ao mercado.
Brasil e Japão
Os mercados brasileiros também seguem a tendência: também às 12h11, o índice Bovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, tinha alta de 0,46%.
No Japão, a bolsa de Tóquio fechou com ganhos de 0,2%. Só nesta segunda-feira, o banco central japonês injetou US$ 5,1 bilhões no sistema financeiro.
No entanto, analistas prevêem que o nervosismo deverá perdurar durante a semana. Especialistas do banco ING prevêem que as cotações ainda deverão cair "de 4% a 6%".
A avaliação é de que a atual instabilidade é resultado da crise no mercado de crédito imobiliário de risco nos Estados Unidos, onde muitas pessoas estão ficando sem pagar suas dívidas.
A onda de quedas começou na quinta-feira, depois do anúncio do banco francês BNP Paribas, um dos maiores da Europa, de suspensão das operações de resgate e de depósitos de três fundos de investimento, totalizando 2 bilhões de euros.
A decisão seria reflexo da inadimplência no mercado americano de hipotecas do tipo "sub-prime" (concedidas a pessoas e empresas de alto risco) que influenciam diretamente os fundos suspensos do Paribas.
O nervosismo nos pregões aumentou com a falência do banco americano de crédito imobiliário HomeBanc no final da semana.
Incógnita
Não se sabe ao certo o montante de hipotecas que correm o risco de não serem pagas nos Estados Unidos. Uma estimativa coloca a cifra na casa dos US$ 300 bilhões.
"A grande questão é qual é o valor total (de empréstimos de risco), e isso é ruim para os mercados porque, se há uma coisa que os mercados odeiam, é incerteza", disse Gilles Moec, economista do Bank of America.
No fim de semana, alguns bancos começaram a revelar o montante de dívidas do tipo de que são credores. O alemão WestLB, por exemplo, disse que tem 1,35 bilhão de euros relacionados ao mercado imobiliário de alto risco nos Estados Unidos.
No entanto, também há quem diga que a situação não está tão ruim assim.
O diretor do banco de crédito imobiliário alemão Eurohypo, por exemplo, afirmou que a empresa compensará logo as perdas causadas pela crise e que o mercado está "histérico".