06 de agosto, 2007 - 12h40 GMT (09h40 Brasília)
A maioria dos grupos rebeldes da região de Darfur, no Sudão, chegou a um acordo para uma reunião "final" com o governo do Sudão dentro de dois ou três meses.
As oito facções estão negociando desde sexta-feira para colocar um fim às suas divisões - que são vistas como um grande fator para que o conflito de quatro anos continue.
Mas um dos mais importantes líderes rebeldes da região boicotou a reunião, que está ocorrendo na Tanzânia.
O acordo ocorre depois da decisão da semana passada, de enviar 26 mil soldados das tropas de paz da ONU e da União Européia para Darfur.
As facções chegaram a uma "plataforma comum na divisão de poder, de riquezas, nas questões de segurança, terra e humanitárias, para as negociações finais", afirmaram em uma declaração final.
Otimismo
"Temos uma posição coletiva de negociação conjunta, que acredito ser muito frutífera, construtiva e positiva", disse o líder rebelde Ahmed Hussein.
"E acredito que vai pavimentar o caminho para um novo processo político significativo e positivo para resolver as causas do conflito em Darfur", acrescentou.
Um dos mais importantes líderes rebeldes, Abdul Wahid Mohammad Ahmed al-Nur, da grande facção do Movimento de Liberação do Sudão, boicotou a reunião.
O enviado especial da União Africana a Darfur, Salim Ahmed Salim, disse à BBC que Nur deveria aproveitar a oportunidade para deixar diferenças de lado e se juntar ao processo de paz.
"Algo que posso dizer sem qualquer contradição, é que eles (os grupos rebeldes) realmente fizeram o melhor que podiam para apresentar uma posição comum, para trabalhar em uma opinião única quando se fala em termos de negociação", disse Salim.
O conflito em Darfur, uma província no oeste do Sudão que tem um território maior do que o da França, já dura quatro anos.
Pelo menos 200 mil pessoas morreram e mais de 2 milhões foram obrigadas a deixar suas casas desde 2003.
Milícias formadas por africanos muçulmanos de origem árabe, denominadas Janjaweed, são acusadas de crimes de guerra, assassinatos, estupros e roubos contra a população negra africana da região. O governo do Sudão é acusado de apoiar essas milícias.