31 de julho, 2007 - 09h18 GMT (06h18 Brasília)
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse que o Irã é a "maior ameaça no Oriente Médio", em uma escala antes de iniciar um giro diplomático pela região.
A secretária e seu colega que comanda a pasta da Defesa no governo americano, Robert Gates, se reúnem com ministros dos países árabes nesta terça-feira no balneário de Sharm El-Sheik, no Egito.
"Não há dúvida, acho, que o Irã constitui o mais importante desafio, como país, aos interesses americanos no Oriente Médio e ao tipo de Oriente Médio que queremos ver", declarou Rice, em uma escala em Shannon, na República da Irlanda.
A viagem se realiza logo após o anúncio de uma ajuda militar de US$ 63 bilhões a países aliados dos Estados Unidos na região.
Tanto a ajuda quanto a viagem fazem parte de uma iniciativa americana de reduzir a influência do Irã, da Síria e do grupo libanês Hezbollah nos países vizinhos.
Com seu programa nuclear e sua credibilidade junto a grupos militantes xiitas, o Irã há muito tempo está entre as preocupações de Washington.
No domingo, o embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad, acusou a Arábia Saudita de prejudicar os esforços pela estabilização do Iraque.
Giro
Em sua primeira viagem conjunta, Rice e Gates visitarão juntos o Egito e a Arábia Saudita, e outros países separadamente.
O secretário de Defesa disse que os Estados Unidos querem "assegurar a todos os países que as políticas (da Casa Branca) para o Iraque consideraram e continuarão a considerar a segurança e a estabilidade regional como altíssima prioridade".
Mas um porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Mohammed Ali Hosseini, acusou os Estados Unidos de prejudicarem boas relações entre os países da região.
Para o Irã, as políticas americanas no Oriente Médio difundem o medo.
Egito, Israel e Arábia Saudita são os principais beneficiados pelo acordo de ajuda militar anunciado pelo governo americano.
Israel vai receber US$ 30 bilhões (cerca de R$ 57,6 bilhões) em 10 anos, um acréscimo de 25% sobre os valores atuais.
O Egito vai receber US$ 13 bilhões (quase R$ 25 bilhões).
Acredita-se que a venda de bombas guiadas por satélite à Arábia Saudita (a primeira desse tipo de equipamento para um país árabe) faz parte do acordo de US$ 20 bilhões (cerca de R$ 38,1 bilhões) em armas firmado com o reino e outros países do Golfo Pérsico.
O pacote de apoio militar precisa ser aprovado pelo Congresso americano e deve enfrentar resistência.
Dois congressistas democratas de Nova York, Anthony Weiner e Jerrold Nadler, disseram no domingo que vão apresentar um projeto de lei para bloquear a ajuda militar à Arábia Saudita.