26 de julho, 2007 - 06h04 GMT (03h04 Brasília)
A Coréia do Sul decidiu enviar o conselheiro de segurança da Presidência, Baek Jong-chun, ao Afeganistão para trabalhar com o governo afegão pela libertação de 22 cidadãos sul-coreanos seqüestrados pela milícia islâmica Talebã.
Um comunicado do gabinete do presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, disse que a morte de um dos reféns, divulgada nesta quarta-feira, foi "um ato desumano".
"O assassinato de um civil inocente não tem justificativa", diz o comunicado. "Devido à gravidade dessa situação, o goveno decidiu mandar um enviado especial ao Afeganistão para reuniões com o governo afegão."
"Nós mais uma vez exigimos o retorno imediato dos cidadãos coreanos mantidos reféns", diz a nota.
A Coréia do Sul também proibiu seus cidadãos de viajarem ao Afeganistão.
Os 23 sul-coreanos foram seqüestrados em Ghazni, sudoeste de Cabul, na última quinta-feira. Os reféns - a maioria mulheres - são membros de uma organização cristã de ajuda humanitária.
A polícia local informou que o corpo de um dos reféns foi encontrado nesta quarta-feira com muitos ferimentos a bala no bairro de Mushaki, distrito de Qarabagh, na província de Ghazni.
O Ministério do Exterior da Coréia do Sul idenfiticou o refém morto como Bae Hyung-Kyu, um pastor protestante de 42 anos que era líder da organização de ajuda humanitária.
O Talebã afirma que matou o homem porque o governo do Afeganistão não atendeu à exigência de libertar prisioneiros do grupo extremista em troca dos reféns.
Em entrevista a um canal de TV britânico, um comandante militar do Talebã, Mansour Dadullah, disse que está incentivando o seqüestro de estrangeiros para serem trocados por mebros do grupo.
"Os seqüestros são uma política muito bem-sucedida e eu digo a todos os meus mujahideen que seqüestrem estrangeiros de qualquer nacionalidade onde quer que os encontrem, para que possamos fazer o mesmo tipo de acordo (troca de prisioneiros)", disse.
O próprio Dadullah foi libertado, com outros quatro integrantes do Talebã, em troca de um jornalista italiano que havia sido seqüestrado no início deste ano.
A polícia afegã proibiu estrangeiros de sair da capital, Cabul, sem pemissão prévia, segundo informações da agência de notícias Associated Press.
Uma onda de seqüestros recente fez com que viajar fora das grandes cidades do Afeganistão seja muito arriscado.
Confrontos entre militantes do Talebã e tropas estrangeiras aumentaram, e com eles o número de ataques a bomba e atentados suicidas.