23 de julho, 2007 - 08h57 GMT (05h57 Brasília)
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, cujo partido, Justiça e Desenvolvimento (AK), venceu as eleições antecipadas realizadas no domingo, prometeu, em discurso após a confirmação da vitória, respeitar a Constituição secular do país.
Os resultados preliminares indicaram que o partido venceu as eleições com 47% dos votos.
A questão do secularismo era uma das principais razões da crise política que haviam levado à convocação das eleições antecipadas.
O pleito foi convocado para tentar resolver um impasse envolvendo as tendências islâmica e secular, após seguidas tentativas - fracassadas - do Parlamento de eleger um novo presidente.
Os partidos laicos e as poderosas Forças Armadas conseguiram impedir a eleição de um muçulmano praticante, o ministro das Relações Exteriores, Abdullah Gul, que contava com o apoio do governo.
O AK, partido moderado de tendência islâmica no poder desde 2002, afirma respeitar os princípios do secularismo previstos pela Constituição, mas os opositores acusam a agremiação de ter um suposto projeto islâmico.
Cerca de 42 milhões de pessoas estiveram aptas a votar neste domingo. Autoridades eleitorais disseram que o comparecimento às urnas foi muito alto.
Em seu discurso, o primeiro-ministro disse que continuaria perseguindo o objetivo de trabalhar para que a Turquia possa no futuro fazer parte da União Européia (UE).
Erdogan disse também que continuaria a promover "reformas democráticas e econômicas".
Uma das propostas é a reforma constitucional que incluiria a eleição direta para a Presidência - um mecanismo que provavelmente teria permitido que o indicado do primeiro-ministro se tornasse presidente, a avaliar pelos números deste domingo.
Uma das primeiras tarefas do novo Parlamento será justamente decidir como será escolhido o novo presidente. A oposição rejeita a proposta de eleições diretas para o cargo.
Apesar da vitória por ampla margem, o AK não conseguirá os dois terços dos votos necessários para aprovar seu candidato presidencial sem depender da oposição.
Dirigindo-se a uma multidão que levava bandeiras turcas e cartazes de apoio ao premiê, Erdogan disse que fará um governo de união nacional e que trabalhará para todo o povo turco.
“A votação mostrou o nível de maturidade que nossa democracia alcançou", ele disse a uma multidão que o escutava. "Nossa democracia passou por um teste muito importante."
"Não importa para quem você votou. Respeitaremos suas escolhas. Para nós, as diferenças são parte da democracia pluralista. É nossa responsabilidade proteger esta riqueza", afirmou o primeiro-ministro.